O juiz Márcio Rached Milani, da Justiça Federal de São Paulo, ouviu ontem quatro das 11 testemunhas escaladas para a primeira audiência do processo que apura a responsabilidade pelo vazamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2009. A sessão começou às 14 horas, na 10ª Vara Criminal do Fórum Ministro Jarbas Nobre, em São Paulo. Entre as quatro testemunhas – todas de acusação – estavam o editor do jornal O Estado de S. Paulo Sergio Pompeu e a jornalista Renata Cafardo.

Os depoimentos foram acompanhados pelos réus – Felipe Pradella, considerado o mentor do vazamento, Marcelo Sena Freitas, Filipe Ribeiro Barbosa, Gregory Camillo e Luciano Rodrigues – e seus advogados, pela defesa do consórcio que organizava o Enem e por promotores.

Pradella, Freitas e Barbosa eram funcionários temporários da Cetros – integrante do Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção, que organiza o Enem – e estavam lotados na gráfica que imprimiu as provas. Camillo, DJ, e Rodrigues, dono de uma pizzaria, agiram como intermediários na tentativa de venda da prova para dois jornalistas do Estado. “Não tem nada que comprove o envolvimento do Luciano”, disse o advogado de Rodrigues, Luiz Vicente Bezinelli, ao final da sessão.

O vazamento da prova veio à tona após dois homens tentarem vender a prova por R$ 500 mil ao Estado – o jornal, porém, não compra informações. A reportagem avisou o Ministério da Educação (MEC) do vazamento, e o Enem, que ocorreria em outubro, foi adiado para dezembro, prejudicando 4 milhões de candidatos em 1,8 mil cidades do País.