Brasília

(AE) – O ex-governador de São Paulo Orestes Quércia está convocando para hoje, às 16h, em Brasília, uma nova reunião do grupo do PMDB que é contrário à coligação do partido com o PSDB. No encontro, os integrantes da chamada ala de oposição ao governo tentarão reforçar o movimento pela não-formalização da aliança com os tucanos em 15 de junho para deixar o PMDB livre na montagem das alianças estaduais.

O senador Iris Rezende (PMDB-GO), que deve comparecer ao encontro, disse ter recebido, na semana passada, telefonema da deputada Rita Camata (PMDB-ES), candidata a vice-presidente na chapa liderada pelo senador José Serra (PSDB-SP), pedindo seu apoio na convenção do partido, em 15 de junho. “Tenho responsabilidade política em meu Estado, e não posso tomar decisão numa conversa telefônica”, afirmou Iris Rezende, lembrando que Goiás tem 59 votos, a quarta força da convenção nacional do PMDB.

Dificuldade

Ao se recusar a discutir a situação eleitoral de Goiás por meio de telefonema, Iris Rezende dá a dimensão da dificuldade de formalização da coligação entre PMDB e PSDB em seu Estado, onde os dois partidos têm candidatos próprios ao governo estadual. O senador reclamou que ninguém da cúpula do PMDB o procurou recentemente para propor, por exemplo, a neutralidade de Serra ao longo da campanha eleitoral em Goiás. “Será que Rita Camata tem autorização de Serra para conversar com o PMDB de Goiás?”, perguntou o senador.

Na avaliação do senador, a cúpula do PMDB poderá ter dificuldades na convenção, caso não consiga fechar representações importantes como as do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina em favor da coligação com o PSDB. Juntos, os dois Estados têm 99 dos 687 votos da convenção nacional. O maior número de votos é, em primeiro lugar, o de Minas Gerais (74), seguido de São Paulo (68), Estados em que as negociações em torno da aliança pró-Serra ainda estão em curso.

Requião elogia João Amazonas

Um discurso do senador Roberto Requião em tributo a João Amazonas, que morreu no começo da semana passada, acabou transformando a sessão de ontem à tarde, no Senado Federal, em uma grande homenagem ao dirigente do PCdoB. Requião fez um histórico da vida do líder comunista, desde sua adolescência, quando participou dos movimentos revolucionários na década de 30, até a sua morte.

Para o senador paranaense, Amazonas foi “um humanista em sua dimensão mais radical”, porque perseguiu ao longo dos seus 90 anos a utopia da igualdade, da sociedade sem classes e sem exploração. Requião lembrou ainda que em seus quase 100 anos, João Amazonas conheceu poucos momentos de liberdade, já que passou quase toda a vida sendo preso, escondido ou exilado.