Brasília – O ministro da Coordenação Política e Assuntos Institucionais do Governo, Aldo Rebelo, defendeu ontem a necessidade de reforma política no país. Ao comentar o resultado das eleições na Câmara dos Deputados, Rebelo disse que a reforma política é necessária para que "os partidos possam exercer seu papel no país, tendo como princípio a democracia, a hierarquia e a disciplina". Em entrevista à Rádio Nacional AM, o ministro afirmou que não há funcionamento partidário sem fidelidade ao programa e às decisões do partido.

Segundo Rebelo, a vitória do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que concorreu como candidato independente, foi aceita com naturalidade pelo governo. "O Severino é um deputado que submeteu seu nome ao regimento da Câmara e foi eleito. Eu acho que daqui por diante, cabe ao governo respeitar a eleição e conviver com o novo presidente eleito. É isso que interessa à democracia", afirmou o ministro.

Sobre as dificuldades que o governo poderá enfrentar porque o PT ficou sem representante na Mesa Diretora da Câmara, Rebelo disse que a situação seria "mais confortável para o governo e para o próprio parlamento se a regra, até então vigente, que dava a presidência ao partido com maior bancada fosse seguida". Entretanto, como a própria Câmara resolveu mudar, o governo deve apoiar o que foi decidido, acrescentou o ministro.

Questionado sobre a causa da derrota do candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh, o ministro disse que a candidatura avulsa de Virgílio Guimarães (PT-MG) foi uma das razões. "É evidente que, se nós formos buscar as causas a olho nu, veremos que foi pela existência de duas candidaturas. O partido ficou dividido para a eleição, e isso pode ter contribuído para a derrota", disse ele.

Para ele, as relações entre os presidentes da Câmara e do Senado serão institucionais. "As duas instituições precisam cooperar e se manter em harmonia. São instituições independentes, mas que deverão ter uma relação amistosa, porque Severino Cavalcanti é um deputado que já está no terceiro mandato e tem o nosso respeito e a nossa estima. Eu acho que a relação será muito tranqüila", afirmou.