Lula deu o recado para o MST.

Três Lagoas – Um dia depois de o líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) João Pedro Stedile recuar das declarações que poderiam incitar uma onda de ocupações de terras no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em discurso na cidade de Três Lagoas (MS), que a reforma agrária “não será feita no grito, mas dentro da lei”.

“Neste País, a reforma agrária vai ser feita por uma questão de justiça social, por uma necessidade de repartir um pouco melhor o território produtivo, para que a nossa gente tenha a oportunidade de trabalhar. Mas ela não vai ser feita no grito. Nem no grito dos trabalhadores, nem pelo grito dos que são contra, ela vai ser feita respeitando a legislação vigente e num clima de harmonia, que norteia o comportamento de todo o meu governo”, disse.

O presidente afirmou ainda que terminará seu governo com a promessa cumprida de assentar 400 mil famílias de trabalhadores rurais. Lula participou da solenidade de inauguração da Usina Termelétrica de Três Lagoas. O presidente também assinou autorização para o início das obras da Ferrovia do Pantanal. Com um investimento de R$ 500 milhões, a Termelétrica Três Lagoas, da Petrobras, é alvo de quatro ações judiciais. O Ministério Público Federal e o Estadual querem saber se a obra vai trazer danos ambientais à cidade e prejudicar a saúde da população.

No mesmo pronunciamento, Lula voltou a assegurar a retomada de 17 dos 35 projetos que estavam paralisados. “O Brasil não precisa de nenhuma obra faraônica que marque a passagem de um governante.”

Após o evento em Três Lagoas, Lula foi para a cidade de Bonito (MS), onde inaugurou o aeroporto da cidade, cuja obra tem pendências ambientais, segundo o Ministério Público Estadual. O órgão abriu inquérito civil público em 2002 porque a Secretaria Estadual de Meio Ambiente dispensou a obra do Estudo de Impacto Ambiental. Segundo o governo do Estado, o Ministério do Planejamento liberou, em 2003, R$ 1,5 milhão à obra.

Apesar do alerto de Lula, o MST promoveu ontem uma série de invasões de fazendas no Rio Grande do Sul e no interior de São Paulo.