Brasília – A reforma ministerial pode incluir também as estatais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu este aviso para 12 ministros que estavam com ele em seu gabinete. Avisou também que já teve conversas com todos os ministros que estão querendo se candidatar no ano que vem e que antecipariam sua saída agora do governo.

Pelo que o presidente disse aos ministros, a reforma ministerial pode sair a qualquer momento, porque gostaria de iniciar a semana que vem com tudo isso já resolvido. Ao fim da cerimônia do lançamento do pacote anticorrupção, Lula fez uma reunião rápida em seu gabinete e disse que já sabe inclusive quem indicará para os cargos de ministro. Ele informou que já conversou inclusive com os principais presidentes de estatais e que estava pensando em tirar também, pelo mesmo critério, os que se candidatarão em abril. Isto ampliará ainda mais a reforma que o presidente pretende fazer.

A cúpula do PMDB no Congreso encaminhou ontem ao presidente seus indicados para ocupar o Ministério. A bancada do partido no Senado apresentou a Lula o nome do senador Hélio Costa (MG) e do presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, e a bancada do PMDB na Câmara indicou o deputado Saraiva Felipe (MG) e o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Paulo Lustosa. Os ministérios que o PMDB deve ocupar são o de Minas e Energia, o de Comunicações, hoje com o peemedebista Eunício Oliveira, o da Previdência, hoje a cargo do senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o da Saúde.

Lula voltou a falar ontem com ministros sobre a reforma ministerial. Recebeu no Palácio do Planalto Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), Humberto Costa (Saúde), José Fritsch (Pesca) e Romero Jucá (Previdência). Jucá, saiu pouco depois das 19h do Palácio do Planalto. A saída de Jucá já é dada como certa na reforma.

Como os três últimos ministros são prováveis candidatos majoritários em seus respectivos estados, a tendência é que deixem o governo na próxima segunda-feira, quando Lula deve anunciar a reforma ministerial. Assim que deixou o Planalto, Humberto Costa viajou para Recife, onde cumpriu uma agenda de candidato. Lula também deve aproveitar a saída de Fritsch para reincorporar a pasta da Pesca ao Ministério da Agricultura. Lula deve fechar a reforma neste fim de semana, quando fará as últimas consultas.

O ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política, está com um pé no Ministério do Trabalho e outro no Ministério da Defesa. O vice-presidente José Alencar prefere desfrutar apenas da situação confortável de ser vice-presidente. E outro que estaria com os dias contados é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que poderia disputar o governo de Goiás, e seria substituído pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal.

Os ministros que estariam confirmados seriam Antônio Palocci (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Ciro Gomes (Integração Nacional), Marina Silva (Meio Ambiente), Tarso Genro (Educação), Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário), Waldir Pires (CGU), Alfredo Nascimento (Transportes), Walfrido Mares Guia (Turismo), e, talvez, Eduardo Campos, todos cancelando ou adiando projetos eleitorais.