Após o tumulto entre estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), PMs e seguranças no campus na noite da quinta-feira, 28, o reitor Ricardo Vieiralves, responsabilizou o que chamou de “falanges políticas” pela confusão. Em nota oficial intitulada “Não há diálogo com a barbárie”, o professor acusou esses grupos de terem recrutado pessoas externas à instituição, como moradores de rua e moradores da Favela do Metrô, que é próxima, para fazer “crescer” um ato político e provocar ações violentas.

Já estudantes afirmam que a ação dos seguranças da universidade, com mangueiras anti-incêndio, e da Polícia Militar, com bombas de gás lacrimogêneo no estacionamento do câmpus, foi desproporcional. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra quando os funcionários da instituição dispararam jatos d’água contra alunos. Nas imagens, também é possível ver que uma bomba, aparentemente de fabricação caseira, é lançada, e pessoas aparecem jogando objetos contra a portaria.

De acordo com reitor, alguns manifestantes – ele diz que 200 pessoas estavam concentradas no estacionamento da instituição – estavam armados com “barras de ferro, madeira, pedras e bombas” e destruíram a portaria central da universidade. Vieiralves afirma no texto que a universidade abrirá inquérito administrativo para apurar o fato. Foi registrada pela universidade na 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira) queixa de lesões corporais e danos ao patrimônio público.

“Estamos atentos e vigilantes para impedir que haja instauração em nossa instituição de um estado permanente de terror e violência”, declarou Vieiralves na nota. Na última sexta-feira, 22, ele já havia decretado a suspensão das atividades da universidade por medo de ações violentas, que, segundo o reitor, estariam sendo planejadas por grupos radicais de alunos para este dia. A universidade vive um período de tensão, com corte de verbas.

A confusão na portaria central começou quando alunos e moradores da Favela do Metrô, na Mangueira, zona norte, que protestavam nas imediações da UERJ contra a demolição de quatro imóveis na comunidade, tentaram se refugiar dentro da instituição. Na rua, policiais militares estariam usando spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo contra a manifestação, que teria recebido a adesão de estudantes. Alguns manifestantes jogaram pedras contra os PMs. Os policiais revidaram com bombas de gás.

Para fugir da Polícia, estudantes e moradores correram para a universidade. Ao chegar à portaria da UERJ, foram impedidos de entrar pelos seguranças. Alguns alunos quebraram vidros e objetos no local, enquanto eram atacados com água pelos seguranças.

Em nota, a PM nega que tenha havido invasão de moradores da Favela do Metrô na UERJ. A corporação diz ainda que não há registro de feridos no tumulto e que o policiamento nos arredores da universidade foi reforçado nesta sexta-feira, 29.