Foto: Arquivo/O Estado

Relator do Conselho de Ética, deputado Chico Alencar.

Com a leitura do parecer que recomenda a perda do mandato do deputado Wanderval Santos (PL-SP), na tarde de hoje, o Conselho de Ética da Câmara retoma a fila dos processos de cassação de deputados envolvidos no esquema do "valerioduto". O relator, Chico Alencar (P-SOL-RJ), dirá que Wanderval tem responsabilidade no recebimento de R$ 150 mil do esquema do "mensalão". O dinheiro foi sacado por um assessor, Célio Marcos Siqueira.

Wanderval argumenta que o saque foi determinado pelo ex-deputado Carlos Rodrigues, a quem se disse subordinado na Igreja Universal do Reino de Deus. No relatório, Chico Alencar condenará a submissão do mandato de um parlamentar a outro e insistirá que os deputados têm responsabilidade sobre os atos de seus funcionários. O relator mostrará que a relação de Rodrigues e Wanderval, que já não pertencem à Universal, não era de comando, mas de parceria.

Outro ponto que pesou contra Wanderval foi o fato de Carlos Rodrigues jamais ter ido ao conselho para confirmar a defesa do deputado, o que será lembrado no parecer. Depois da leitura do relatório, o mais provável é que algum aliado de Wanderval peça vistas (mais tempo para análise do processo), o que dará prazo de duas sessões ordinárias da Câmara ao processado. Cumprido o prazo, o relatório será votado pelos 15 conselheiros.

Hoje o conselho ouvirá o depoimento do deputado petista José Mentor (SP), que recebeu R$ 120 mil de empresas de Marcos Valério. Mentor diz que foi o pagamento por serviços prestados por seu escritório de advocacia.

Em depoimento ontem como testemunha de defesa do deputado Pedro Corrêa (PP-PE), o líder interino do PP na Câmara, deputado Mário Negromonte (BA), disse que "hoje o PT está leproso", mas que, em 2003 e 2004, quando foram feitos os repasses do "valerioduto", "qualquer cristão receberia" ajuda financeira do partido.

Segundo Marcos Valério, o esquema do caixa 2 abasteceu o PP com R$ 4,1 milhões. O PP só reconhece R$ 700 mil. O líder reforçou a tese do PP de que o dinheiro do caixa 2 foi usado para pagar o advogado Paulo Goyaz, responsável pela defesa do ex-deputado Ronivon Santiago.