Os três relatores do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informaram que são contrários à inclusão de nova denúncia contra ele no processo em andamento no Conselho de Ética. O PSOL vai apostar na pressão popular para anexar na investigação do Conselho de Ética os dados sobre a venda de uma fábrica da família Calheiros à Schincariol.

Ontem o presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), oficializou a decisão de anular o relatório que propunha arquivar o processo contra Renan, feito por Epitácio Cafeteira (PTB-MA). O novo relatório não tem data para ficar pronto.

Apesar de não haver pressão do prazo, os relatores Almeida Lima (PMDB-SE), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) são contra ampliar a investigação. Para eles, o procedimento é incompatível com as normas do colegiado. ?É preciso nova representação, nova decisão da Mesa e novo relator?, disse Marisa.

Para Almeida Lima, a iniciativa do PSOL mostra falta de comprometimento com o regimento: ?Não podemos deixar que o interesse de um ou outro burle a legalidade da investigação.? Para Casagrande, ?a questão da Schin, pelo que se tem até agora, está relacionada ao irmão? de Renan. ?Isso só deveria ser reavaliado se no decorrer do processo aparecer comprometimento de Renan?, disse.

A fábrica, segundo a revista Veja, foi vendida à cervejaria por R$ 27 milhões, embora não valesse mais que R$ 10 milhões. Renan teria atuado em favor da Schincariol junto ao INSS – para impedir que dívida de R$ 100 milhões fosse executada – e na Receita Federal – contra multa por sonegação de impostos.