O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está sentado na primeira fila do plenário, na bancada destinada aos representantes de Alagoas, acompanhando a sessão que decidirá seu destino. Antes de desligar o som e a transmissão da sessão, tornando-a efetivamente fechada, o principal assunto dos senadores foi a liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que permitiu o acesso de 13 deputados ao plenário.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu que a sessão fosse gravada em defesa da história do País. Segundo ele, o Senado poderia decidir o período em que gravação ficaria sem divulgação. "Pode durar 20 anos, mas não podemos deixar essa lacuna vergonhosa. Um dia o povo brasileiro terá o direito de saber o que ocorreu", disse. Em seguida, o senador Tião Viana (PT-AC), que preside a sessão, negou o pedido de Cristovam.

Os senadores aproveitaram para manifestar opiniões sobre a pancadaria que aconteceu entre deputados e seguranças do Senado na porta do plenário, envolvendo principalmente os deputados Raul Jungmann (PPS-PE), Fernando Gabeira (PV-RJ) e Luciana Genro (PSOL-RS). Autorizados pelo STF e pela decisão da Mesa diretora do Senado, o grupo de deputados de diversos partidos foram acomodados na tribuna de honra do plenário.

A tônica dos discursos que precederam a sessão secreta foi em defesa de mudanças no regimento para que acabe com as sessões fechadas nos julgamentos por quebra de decoro parlamentar, seguindo o exemplo da Câmara."Estamos vivendo um verdadeiro pandemônio. Este clima tem que servir de lição e experiência para todos nós", afirmou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), acrescentando que o regimento do Senado é obsoleto. "Se a sessão fosse aberta não teria acontecido nada disso", disse também o líder do DEM, senador José Agripino (RN).

Os seguranças do Senado foram defendidos em plenário pelo senador Papaléo Paes (PSDB-AP). O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) argumentou que Tião Viana ainda não havia orientado os seguranças que o acesso dos deputados estava liberado, por isso o tumulto.

Depois da confusão, Jungmann procurou o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para relatar o confronto entre os deputados e seguranças. Chinaglia considerou "inadmissível e inaceitável" o fato e disse que vai pedir investigação rigorosa da agressão aos deputados. Segundo ele, ninguém pode sofrer violência física no Congresso. Chinaglia disse ainda que se tivesse acontecido com senadores no recinto da Câmara ele já teria aberto investigações para apurar responsabilidades.