O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), afirmou nesta quarta-feira (25) em Maceió, durante entrevista ao programa Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta/Globo, que a crise no Congresso é artificial. "As pessoas pensaram que estavam diante de um fato consumado e de uma pessoa vulnerável, um novo `Severino’, mas erraram completamente. Em nome da minha dignidade vou resistir até a última hora", declarou Renan, referindo-se ao ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcante (PE), que em 2005 renunciou ao cargo para não ser cassado, após ser denunciado de receber propina do dono do restaurante da Casa.

O senador alagoano disse que em nenhum momento pensou em renunciar e que tem plena convicção de sua inocência. Calheiros é investigado pelo Conselho de Ética acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar despesas pessoais, como aluguel e pensão, à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos fora do casamento. Renan nega a acusação e diz que pagou as despesas da ex-amante com seus próprios recursos, obtidos com a renda de R$ 1,9 milhão de pecuarista na região de Murici, sua cidade natal, na Zona da Mata de Alagoas.

O Departamento de Polícia Federal em Brasília enviou nesta quarta-feira um ofício ao Conselho de Ética do Senado informando que estaria iniciando a perícia nos documentos usados na defesa do senador Renan Calheiros. Os peritos da PF terão um prazo de 20 dias para informar se a documentação que o senador apresentou para comprovar sua renda de pecuarista são autênticos ou não. Parte das notas fiscais apresentada pelo senador vem de empresas fantasmas e firmas que já não atuam mais no mercado de carne em Alagoas.