Disposto a continuar na presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) está sendo orientado por aliados a não convocar a sessão do Congresso para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Essa seria uma maneira de driblar as manifestações contrárias à sua permanência no cargo. Deputados de oposição já avisaram que vão questionar sua legitimidade para presidir a sessão conjunta da Câmara e do Senado.

A avaliação de aliados de Renan é que ao segurar a votação ele não só evitará constrangimento como ganhará tempo no Conselho de Ética do Senado, onde enfrenta processo por quebra de decoro. É que, pela Constituição, os parlamentares não podem entrar em recesso antes de votar a LDO. Em princípio, o recesso começa dia 18 e vai até dia 30. Mas não seria o primeiro atraso na votação da LDO. No ano passado, por exemplo, a lei só foi aprovada em dezembro.

Caso a LDO não seja votada até dia 17, o Congresso deve entrar em recesso branco. Mas o Conselho de Ética poderá avançar nas investigações sobre o patrimônio de Renan. Ele é acusado de ter despesas pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, como a pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. Para provar que tem recursos suficientes e não precisa de ajuda da empreiteira, ele apresentou notas fiscais e comprovantes de venda de gado que justificariam rendimento de R$ 1,9 milhão em quatro anos. Mas a Polícia Federal pôs em dúvida sua veracidade.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo