Brasília – Ao mesmo tempo em que ajuda a pacificar a base governista na Câmara, para que as disputas de lá não respinguem na sua própria candidatura à sucessão de José Sarney (PMDB-AP), o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), retomou ontem as negociações para a composição da Mesa do Senado. Já está certo que o PFL continuará com a primeira e a terceira secretarias. O primeiro posto está sendo disputado pelos senadores Edison Lobão (MA) e Efraim Moraes (PI). Já o segundo será destinado a Paulo Octávio (DF).

Com uma bancada de 13 senadores cada um, o PT e o PSDB tentam chegar a um acordo. Como os petistas querem ter preferência para a primeira vice-presidência, que seria ocupada pelo senador Tião Viana (AC), os tucanos exigem como compensação dois cargos na Mesa: a segunda vice-presidência e a segunda ou quarta secretarias. A lista de candidatos para os dois postos incluem os senadores Antero Paes Barros (MT), Álvaro Dias (PR) e Eduardo Siqueira Campos (TO).

Outro problema que Renan terá de administrar é o anseio do PDT por uma vaga na Mesa do Senado. Na composição passada, o partido abriu mão do posto em troca da presidência da Comissão de Educação. O líder peemedebista começou nesta terça-feira uma série de consultas, que deverão prosseguir nesta quarta-feira.

Entre os acordos já fechados por Renan com a oposição há o compromisso de garantir uma distribuição maior de poder dentro do Senado, com a volta do colégio de líderes, que foi praticamente abandonado durante a gestão de Sarney. Com isso, os líderes voltariam a ter uma influência maior na pauta de votações do Senado, nas indicações para missões no exterior e mesmo para a relatoria de projetos importantes. "Fizemos um pacto de distribuição de poder com Renan, foi assim que ele construiu uma candidatura vitoriosa", observou o líder do PFL, senador Agripino Maia (RN).