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Jefferson: gigantesco esquema de arrecadação de propina.

Brasília – O deputado cassado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, foi indiciado ontem por formação de quadrilha no inquérito da Polícia Federal que apura denúncias de irregularidades na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

Aberto em maio de 2005, o inquérito desmantelou um gigantesco esquema de arrecadação de propina, licitações dirigidas e superfaturamento de preços montado na estatal por partidos da base aliada. Até agora, oito pessoas foram indiciadas, entre elas dirigentes, fornecedores e funcionários dos Correios. O relatório final deverá ser enviado à justiça até sexta-feira.

À saída do depoimento de duas horas na sede da PF, Jefferson declarou-se vítima do ?marketing policial do governo Lula?. Ele acusou a PF de agir como polícia política do governo para perseguir adversários. Acusou também o procurador da República, Bruno Acioli, que atua no caso, de ser ?um moleque de recados do PT?, um ?homúnculo? e um ?boboca?.

O indiciamento, a seu ver, baseou-se em trechos do seu livro, ?Nervos de Aço?, lançado recentemente, no qual detalha o que chama de aparelhamento dos órgãos públicos pelos partidos da base aliada do governo. A PF informou, todavia, que o indiciamento foi baseado em critério técnico, no depoimento de três empresas que confirmaram ter pago propina ao esquema e na constatação de que Jefferson indicou pessoas não para trabalhar nos Correios, mas para levantar fundos para o seu partido.

Outra prova juntada aos autos é o depoimento à CPI dos Correios, em que o próprio Jefferson afirma que é prática comum aos partidos angariar fundos em estatais, como fez o PTB. Por meio de nota, o procurador Acioli lamentou os ataques do ex-deputado e disse que o Ministério Público é instituição apartidária. Disse também que, caso sejam comprovadas as irregularidades investigadas, buscará punir os responsáveis. ?Também é importante ressaltar que todas as operações realizadas foram feitas de forma legal, obedecendo o que rege a lei e devidamente respaldadas por ordem judicial?, acrescentou.

Mas Jefferson disse que o indiciamento foi baseado em dados subjetivos e prometeu enfrentar tanto a PF como o MP. ?É uma coisa subjetiva e não há nenhum fato concreto. É um indiciamento anunciado na imprensa?, disse. Para o ex-deputado a perseguição política da PF se estende até a aliados incômodos, como no caso do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), indiciado no inquérito do dossiê Vedoin. ?Até dentro do partido do presidente, quando alguém incomoda, indicia-se, põe o cara na quarentena para depois tirar o indiciamento?.

O presidente do PTB foi o responsável pela divulgação, em 2005, do esquema do mensalão – pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo. O estopim para Jefferson fazer a denúncia foi a divulgação de uma fita de vídeo, que mostra o ex-funcionário dos Correios, Maurício Marinho, negociando propina com empresários e dizendo que teria respaldo de Jefferson.

Acuado, Jefferson resolveu atacar o governo. Ele afirmou que os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados, além de Jefferson, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o, então, deputado Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.