Brasília – A Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional dos Transportes de 2003, divulgada ontem, constatou que 82,8% das rodovias administradas pelos governos estaduais e federal estão classificadas como deficientes, ruins e péssimas. Segundo o presidente da CNT, Clésio Andrade, houve alterações na metodologia usada no ano passado, o que dificulta a comparação dos dados dos dois anos.

Mas ele avalia que a situação piorou, já que neste ano houve redução nos investimentos do Ministério dos Transportes. “Os investimentos têm caído e só se fez tapa-buraco, que com a primeira chuva vai embora”, disse Andrade. A CNT calculou que seriam necessários R$ 7,5 bilhões para deixar as estradas trafegáveis, e seu presidente afirma que os R$ 10 bilhões arrecadados anualmente com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) seriam suficientes para isso. “A responsabilidade é do governo, e ele tem de entender que o caos está instalado”, criticou.

Sinalização

Após a correção, as estradas precisariam de mais R$ 2,5 bilhões anuais para manutenção, sem contar melhorias de traçados ou duplicações. Segundo o presidente, se nada for feito o caos das estradas atingirá outros setores da economia. A pesquisa avaliou 5.859 trechos em 56 mil quilômetros de estradas asfaltadas entre 7 de julho e 1.º de agosto. E mostrou que apenas 48,3% do pavimento está em perfeito estado. As trincas e falhas cobrem 21,4% da malha, outros 17% estão com buracos e ondulações, 11,7% desgastados e 1,6% destruído.

Outro problema levantado na pesquisa foi a sinalização. Diante da falta de recursos, segundo os técnicos, os governos têm dado prioridade à pintura das faixas que dividem as pistas, deixando para depois as placas. Com isso, a linha divisória está visível em 77,9% das estradas, e as laterais estão boas em 64,3%. Mas as placas de limite de velocidade só existem em 55,5% dos trechos visitados.