Brasília

– A Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) de 2003, divulgada ontem, constatou que 82,8% das rodovias administradas pelos governos estaduais e federal são deficientes, ruins e péssimas. O presidente da CNT, Clésio Andrade, informou, ao divulgar o resultado, que houve alterações em relação à metodologia usada em 2002, o que dificulta a comparação de dados. Mesmo assim, avalia que a situação piorou, pois neste ano houve redução nos investimentos do Ministério dos Transportes. “Os investimentos têm caído e só se fez tapa-buraco que com a primeira chuva vai embora”, disse. A CNT calcula que seriam necessários R$ 7,5 bilhões para deixar as estradas trafegáveis, e seu presidente afirma que os R$ 10 bilhões arrecadados anualmente com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) seriam suficientes para isso. “A responsabilidade é do governo e ele tem que entender que o caos está instalado”, criticou. Após a correção, as estradas precisariam de mais R$ 2,5 bilhões anuais para manutenção, sem contar melhorias de traçados ou duplicações. Andrade não acredita que o investimento privado será suficiente no setor, pois há menos de 4 mil km estradas que têm viabilidade para instalação de pedágios. Mesmo que o governo venha a subsidiar as empresas, com Parcerias Público-Privadas (PPP), esse número subiria para cerca de 6 mil km. “Isto é pouco diante da malha de 60 mil quilômetros”, diz Andrade.