Brasília – O presidente do DEM, o deputado Rodrigo Maia (RJ), avaliou nesta segunda-feira (7) que os coordenadores políticos do governo terão dificuldades em articular um acordo com a oposição, a partir de fevereiro, para aprovar, no Congresso, as medidas compensatórias à perda da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Ele disse que o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), perdeu a credibilidade nas negociações com a oposição.

"Vai ser um início de ano delicado. Nós teremos uma dificuldade na articulação com líderes do governo. Eu não sei como o Romero Jucá vai conseguir um diálogo com a oposição. Se ele não precisar da oposição talvez seja mais fácil para ele, agora, tudo que ele precisar do líder José Agripino [do DEM] e do líder Arthur Virgílio [do PSDB] eu acho que ele terá muita dificuldade de diálogo porque perdeu completamente a credibilidade", afirmou Rodrigo Maia.

De acordo com Maia, ao aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a Contribuição sobre Lucro Líquido das Empresas (CSLL) o governo descumpriu o que havia acertado com a oposição para a votação da Desvinculação de Receitas da União (DRU).

?O pacote do governo federal [as medidas anunciadas na semana passada] pegou a todos, ou pelo menos aqueles de boa fé, que acreditam nas instituições políticas do Brasil, de surpresa. Nós esperávamos que fosse cumprido o acordo feito no dia de votação da DRU, que, além dos R$ 40 bilhões da perda da CPMF, iria gerar um descontrole de R$ 80 bilhões.? A DRU permite ao governo uma flexibilidade maior no uso dos recursos do orçamento.

?Infelizmente, o presidente Lula e seus ministros vêm demonstrando pouco respeito ao próprio governo federal e principalmente nas suas relações com o Legislativo?, disse o parlamentar.

Maia defendeu os cortes nos gastos públicos anunciados pelo Executivo. Acrescentou que o Legislativo deve "cumprir com seu papel cortando emendas de bancada e, se necessário, emendas individuais".