Brasília – O governador de Rondônia, Ivo Cassol (PSDB), pediu ontem ao governo federal que envie militares para restaurar a calma na reserva dos índios cintas-largas, em que 29 garimpeiros foram mortos neste mês. Cassol disse que o confronto não foi inédito e que garimpeiros garantem que nos últimos dois anos 300 pessoas foram mortas na reserva quando procuravam diamantes ilegalmente. “Os índios estão armados até os dentes??, disse.

Mas o confronto deste mês é o pior já registrado na região, uma das mais ricas em diamantes na América do Sul. Pio Cinta-Larga, chefe da comunidade indígena, disse na semana passada que os 29 garimpeiros foram mortos porque os índios já estavam cansados de terem suas terras invadidas. Cassol afirmou ainda ter alertado no ano passado o governo federal sobre as crescentes tensões entre índios e garimpeiros, que voltam à reserva toda vez que são expulsos pela polícia. A exploração de minérios em terras indígenas é proibida, a não ser que seja aprovada pelo Congresso. Cassol acusou a Funai de impedir a entrada da polícia na reserva, o que teria contribuído com o massacre de garimpeiros. A Polícia Federal cercou a reserva para evitar novos confrontos. O governador disse que é impossível impedir completamente a mineração na reserva, e por isso pediu ao governo federal que autorize a atividade. “Há muito dinheiro em jogo??, afirmou. O governo federal avalia uma proposta de lei que permita aos índios explorarem o garimpo em suas terras.

O porta-voz da Funai, Carlos Tavares, acusou Cassol de incentivar os garimpeiros a invadirem a reserva, o que o governador nega. Cassol propõe que uma mineradora de seu Estado passe a explorar os diamantes da reserva, o que segundo ele geraria 3 mil empregos. Tavares negou que a Funai tenha impedido a entrada da PF na reserva. “Por que ninguém fala dos índios mortos? Eles foram vítimas dos ataques dos brancos durante décadas??, disse.