Porto Alegre (AE) – Os produtores rurais gaúchos aumentaram a vigilância sobre os assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) depois que o grupo anunciou um recrudescimento nas ações a partir deste mês. Desde a sexta-feira passada fazendeiros de Bagé e Sant?Anna do Livramento, na região da fronteira com o Uruguai, intensificaram o controle, que tem pontos fixos de observação e ações de espionagem.

Em Livramento, a 500 quilômetros de Porto Alegre, pelo menos três assentados passam informações regulares das reuniões do MST aos produtores. ?Controlamos praticamente toda a região?, assegura o presidente do Sindicato Rural de Sant?Anna do Livramento, César Maciel. Além de pessoas infiltradas, os fazendeiros se valem de informações de comerciantes e vizinhos dos assentamentos para se manterem informados sobre a movimentação dos sem terra. Apesar disso, o clima é tranqüilo no campo.

A região a que se refere Maciel inclui 36 assentamentos numa área superior a 35 mil hectares. Com esse sistema de vigilância, ele acredita que a possibilidade de novas invasões é remota. ?Ou apertamos o cerco ou não tem mais autoridade. Para nós, dois ônibus juntos já é um risco?, diz o dirigente, que já teve sua fazenda invadida duas vezes por integrantes do MST.