O presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu que seu país vai se ver obrigado a posicionar armamentos contra locais na Europa, caso os EUA prossigam com o plano de instalar mísseis no Leste europeu. A advertência foi feita em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, publicada poucos dias antes do encontro de cúpula do Grupo dos Oito (G-8) na Alemanha.

Indagado sobre se a Rússia reposicionaria suas próprias armas no caso de os EUA instalarem bases de mísseis na Polônia e na República Checa, Putin respondeu que "sim, naturalmente. Se o potencial nuclear dos EUA crescer em território europeu, nós teremos que fixar novos alvos para nós mesmos na Europa. Depende de nossos militares definir quais serão esses alvos, além de decidir entre mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro. Mas isso é apenas o aspecto técnico"

A Rússia não aponta suas armas para locais na Europa desde que assinou uma série de acordos com os EUA e os países europeus, nos anos 1990. Em janeiro, porém, os EUA pediram oficialmente à República Checa para instalar uma base de radares ao sul de Praga; à Polônia, Washington pediu para instalar dez lançadores de mísseis. Os dois países têm fronteiras com a Rússia e estiveram sob influência de Moscou durante a Guerra Fria; hoje, ambos são membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O argumento norte-americano para a instalação dessas bases é proteger contra um eventual ataque por parte do Irã.

Em Praga, o primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolanek, acusou a Rússia de usar essa questão para manipular a opinião pública. "A Rússia precisa de um inimigo externo para esconder seus problemas domésticos. É evidente que a instalação do radar norte-americano na República Checa e dos mísseis dos EUA na Polônia não ameaçam a Rússia", disse Topolanek.