Não se trata de milagre. A mancha que ficou conhecida como ?a santa da janela?, observada no vidro de uma das janelas da casa 330 da Rua Antônio Bernardino Corrêa, no Jardim Juliana, em Ferraz de Vasconcelos (SP), não é a imagem de Nossa Senhora.          Trata-se de um processo de corrosão do vidro, provocado pela exposição inadequada a fatores ambientais, principalmente umidade e variação de temperatura durante a estocagem. A conclusão consta das 35 páginas dos laudos feitos pelos professores Colin Graham Rouse, consultor e especialista em vidros, e Edgard Dutra Zanotto, da Universidade Federal de São Carlos.          A avaliação técnico-científica foi solicitada pela Cúria Diocesana de Mogi das Cruzes, que criou uma comissão no dia 24 de julho para investigar o fenômeno.

O vidro não chegou a ser retirado da janela para a análise, que teve de ser feita no próprio local. ?Respeitou-se todas as exigências dos donos da casa e da população da região?  explicou o padre José Eduardo Ferreira, pároco de Ferraz de Vasconcelos e integrante da comissão, cujos trabalhos se encerraram no domingo, quando o documento foi entregue ao bispo diocesano de Mogi das Cruzes, Dom Paulo Mascarenhas Roxo.

Combinação – Rouse diz em seu laudo que ?o defeito visual ou mancha existente no vidro não pode ser visto de todos os ângulos da casa nem à distância?. ?A mancha foi provocada por uma combinação decorrente de água da chuva, umidade e variação da temperatura, que levaram ao ataque químico do vidro?, explicou o especialista.

Segundo o professor, isso causa interferência das ?ondas de luz refletidas, o que produz o aparecimento das cores pela decomposição do arco-íris?. Seu colega Zanotto é da mesma opinião. ?Os vidros planos, como os usados em janelas, sendo do tipo solda-cal-sílica, sujeitos a intempéries, sofrem ataques químicos que comumente produzem figuras geométricas arredondadas  que lembram imagens sacras?, afirmou.

O vidro, instalado há dois anos na janela da família Rosa, foi adquirido em uma demolição, onde ficou por muito tempo exposto às citadas intempéries. Só a partir do dia 14 de julho a imagem foi observada. O fato chamou a atenção da mídia e da população. Fiéis organizaram romarias ao local e fizeram vigília. Em 15 dias, pelo menos 190 mil pessoas passaram pela casa da ?santa na janela?.

Em nota à imprensa, d. Paulo Mascarenhas Roxo informou que ?a Igreja acolhe e agradece a pesquisa feita e sua conclusão?. Diz também que ?o trabalho técnico-científico, elaborado com seriedade, competência, sobre vários ângulos de análises, sem prevenções, merece crédito?.

 Fé – A respeito das peregrinações que os fiéis continuam fazendo à casa, o padre Eduardo destacou que a Igreja não pretende proibir nem incentivar. Disse também que a Igreja vai esclarecer os fiéis de que o fenômeno visto na janela não é um milagre.

Na segunda-feira, antecipando-se à divulgação das conclusões do laudo, a comissão encarregada de investigar a aparição da imagem teve uma reunião com o casal Antonio e Ana Rosa. ?Explicamos que era um fenômeno natural, se tratava de um capricho da natureza?, disse o padre Eduardo. ?A fé de tantas pessoas e a interpretação sagrada atribuída ao fenômeno merecem respeito e consideração por parte da Igreja?, destacou o pároco.