Brasília – O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que o corregedor-geral da Casa, senador Romeu Tuma (PFL-SP), recebeu a informação de que foram entregues, por autoridades dos Estados Unidos, não apenas ao Congresso brasileiro os documentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado, cujo conteúdo vazou e foi publicado pela imprensa.

Segundo Sarney, Tuma soube que os EUA entregaram os documentos também a representantes de outras instâncias de poder no Brasil. “O senador Tuma tem informações precisas de que os documentos não foram entregues somente ao Congresso, mas também a algumas autoridades de outros poderes”, disse Sarney, em entrevista ao chegar ao Congresso

Ele informou ainda que as mesas-diretoras da Câmara e do Senado deverão se reunir em outubro, entre o primeiro e o segundo turnos das eleições municipais, para analisar a denúncia de vazamento. “Esta semana não teremos condição de nos reunir, porque quase todos os parlamentares estão envolvidos nas campanhas (eleitorais)”, comentou Sarney.

Investigações

O relator da CPI do Banestado, deputado José Mentor (PT-SP), divulgou nota ontem em que pede apuração do vazamento de informações sigilosas obtidas pela comissão parlamentar de inquérito. O parlamentar diz estar “indignado com a forma sórdida como as coisas estão sendo levadas” e afirma que os responsáveis pelo vazamento pretendem atingir o governo do presidente Lula. Na nota, Mentor nega as afirmações de que tenha recebido orientações do ministro da Casa Civil, José Dirceu, sobre como proceder na relatoria na CPI.

“Em nenhum momento busquei qualquer orientação sobre CPI com o ministro José Dirceu ou com qualquer outro membro do primeiro escalão do governo Lula, embora tenha sido indicado relator pelo meu partido, o PT, o que muito me honrou (…). Nunca fiz, nem orientei quem quer que seja, que fizesse qualquer tipo de banco de dados sigilosos a partir de quebra de sigilos telefônicos, fiscais ou bancários, para qualquer fim. Não existe dossiê sobre família de ninguém”, diz o relator.

O relator diz que a oposição não se conforma com “o desempenho que a aguarda nas urnas” e tenta criar factóides para atingir o governo e abortar a CPI. Mentor diz que não está na relatoria para fazer devassa nem dossiês contra quem quer que seja e prometeu trabalhar para impedir o arquivamento da comissão parlamentar. “Farei tudo para que a CPI resista a esses golpes e para que os trabalhos, que são sérios – e isso será mostrado no relatório final -, cheguem a bom termo”, diz a nota.