O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que a estatal deverá iniciar em 2009 o projeto piloto de produção de etanol visando o atendimento da demanda externa pelo biocombustível. "Começaremos com cinco unidades. Esperamos assinar os contratos este ano para entrarem em operação em dois anos", explicou o executivo durante o 8º Encontro de Energia, promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

O projeto piloto faz parte do ambicioso plano da Petrobras de instalar 40 usinas de produção exclusiva de etanol para exportação. De acordo com o executivo, cada unidade terá capacidade de produzir 200 milhões de litros por ano e deverá demandar investimento que varia entre US$ 200 milhões e US$ 250 milhões. "Certamente, a produção dessas usinas será maior do que a nossa necessidade. Por isso, nem todos os 40 projetos podem sair do papel.

Os locais em estudo para receber as usinas são os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, no Centro-Sul, e Piauí, Maranhão, Bahia e Pernambuco, na região Nordeste. O executivo acrescentou, porém, que os projetos são privados e que a Petrobras, se vier a participar do investimento terá fatia minoritária. "Os empreendimentos serão desenvolvidos pelos investidores tradicionais do setor de açúcar e álcool.

Nessa iniciativa, a Petrobras, em parceria com a Mitsui, atuará como comercializadora do etanol no exterior. Os contratos firmados terão duração de, no mínimo, 15 anos, com objetivo de garantir ao consumidor estrangeiro a segurança do abastecimento. "Em hipótese alguma não poderá ocorrer a falta de etanol. Se entrarmos nesse mercado é para valer", disse o diretor da estatal.

O executivo acrescentou que os recebíveis obtidos pelos usineiros com a venda de etanol para a Petrobras poderão ser utilizados como instrumento para facilitar a obtenção de financiamento para a construção das usinas. Inclusive, o banco de fomento japonês JBIC já teria demonstrado interesse em emprestar recursos para os projetos. "O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve entrar também", disse Costa.