Antonio Cruz / ABr
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Testemunha incrimina o ex-deputado Hildebrando Pascoal.

Brasília – O traficante Alexandre Alves da Silva, o Nin, transformou-se ontem, após aceitar o acordo de ?delação premiada?, na principal testemunha de acusação contra o ex-deputado Hildebrando Pascoal, apontado como mandante do assassinato do policial Walter José Ayala, em 1997, e chefe de um grupo de extermínio no Acre. Os criminosos comandados por Hildebrando ficaram conhecidos por ?turma da serra elétrica?, pela barbárie com que executavam suas vítimas, algumas mutiladas ainda vivas, com motosserra. ?Rio Branco inteira sabia que ele (Hildebrando) era o chefe do esquadrão da morte?, acusou Nin.

Irmão do ex-deputado José Alekssandro da Silva (PSL) – que assumiu o mandado em 2000, no lugar de Hildebrando, e na última eleição foi candidato derrotado ao Senado, no Acre – Nin revelou que soube do crime pelo pistoleiro Raimundo Alves de Oliveira, autor dos disparos que mataram Ayala. Segundo Nin, Raimundo confidenciou que o assassinato do policial fora encomendada por Hildebrando e por um de seus principais comparsas, o sargento PM Alex Fernando Barros. Ele confirmou que a motivação do crime foi ?queima de arquivo?, já que Ayala ?sabia muito? e ameaçava delatar o esquadrão à comissão federal de direitos humanos que investigava o crime organizado no Acre.

Nin mudou a versão que havia contado no primeiro depoimento à justiça. Ele revelou que era amigo e freqüentava a casa de Hildebrando, para quem já havia feito alguns ?serviços?. Quando a juíza Maria de Fátima de Paula Costa pediu detalhes, ele disse que exerceria o direito de permanecer calado, mas que explicaria o caso quando fosse ouvido em outro processo que corre na justiça do Acre.

Réu no mesmo processo de Hildebrando, Nin negou que participar do assassinato do policial. Disse que depois que optou pelo acordo com a justiça, passou a ser tratado como ?dedo-duro? pelo grupo do ex-deputado, a quem acusou de encomendar seu assassinato por R$ 50 mil a outros dois detentos do Presídio de Rio Branco, onde cumpre pena por tráfico de drogas.

Nin é apontado como um dos criminosos mais frios ligados ao esquadrão comandado por Hildebrando. Em um dos casos, é acusado de ter matado um rapaz, Antônio Francisco Amâncio da Silva, por motivo banal. O rapaz teve relacionamento amoroso? com a mulher de um amigo e integrante do esquadrão, o ex-PM Marcos Figueiredo Gonçalves.

Embora garanta que não tem medo, Nin disse que está preocupado com a segurança de sua mulher e as duas filhas – com idades de um ano e meio e três anos. ?Quem sabe muito que nem eu….?, disse, ao responder com um ?positivo? quando o procurador da República, Pedro Taques, perguntou se temia que ?toquem fogo em sua casa ou algo parecido?. Nin disse que aceitou colaborar com a Justiça em troca da redução da pena em outro assassinato em que é acusado. Disse que mentiu no primeiro depoimento por orientação de Hildebrando e dos advogados que trabalham para o ex-deputado.