Arquivo / O Estado
Arquivo / O Estado

Maluf: ele e o filho estão detidos
por crime de corrupção.

Brasília (AE) – O ex-prefeito Paulo Maluf e seu filho Flávio continuarão presos. O ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou ontem os pedidos de liminar em habeas corpus para que os dois fossem soltos. Eles estão presos há 12 dias na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), em São Paulo. A defesa alegou que faltava justa causa para a prisão, mas não conseguiu convencer Dipp. Com a recusa da liminar, não há como prever quanto tempo pai e filho ficarão encarcerados na PF.

Especialista na condução de processos sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Gilson Dipp utilizou argumentos técnicos para não conceder as liminares. O ministro concluiu que não é o momento de o STJ analisar o caso porque o mérito do pedido de habeas corpus ainda não foi examinado pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª Região, com sede em São Paulo. ?Não pode a matéria ser apreciada por esta Corte no presente momento sob pena de indevida supressão de instância?, afirmou o ministro em um despacho cuja íntegra não foi divulgada.

Maluf e seu filho são investigados por suspeita de envolvimento em crimes de corrupção passiva, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e remessas ilegais. Em entrevista dada esta semana, o ex-prefeito disse que ele e o filho são vítimas. ?Eu sou um preso político?, afirmou.

A prisão dos Maluf foi determinada no dia 9 pela juíza Silvia Rocha, da 2.ª Vara Federal, ?por conveniência da instrução criminal?. Em seguida, o juiz Luciano Godoy, do TRF, rejeitou o pedido de liminar e manteve pai e filho na Superintendência da PF. No julgamento do mérito do pedido de habeas corpus, se o TRF mantiver a ordem de prisão, o ex-prefeito e seu filho poderão recorrer ao STJ. Em caso de nova recusa, poderão encaminhar um outro recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Interrogatório

O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf e seu filho Flávio foram interrogados, a portas fechadas, pela Justiça Federal, na tarde de ontem, sobre as escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, nas quais Flávio apareceria tentando induzir o depoimento do doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi – que teria operado para a família no exterior – a não revelar detalhes da operação à polícia.

Hoje à tarde serão interrogados o doleiro Birigüi e o ex-diretor da construtora Mendes Júnior Simeão Damasceno de Oliveira, acusado de pagar propina para obter benefícios para a empresa.