Presidente Epitácio – Cerca de 1.100 militantes do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast) e de outros três movimentos de trabalhadores rurais interditaram ontem a rodovia Raposo Tavares, próximo da ponte que liga São Paulo ao Mato Grosso do Sul, no Pontal do Paranapanema, Oeste do Estado, para protestar contra a falta de assentamentos na região. O protesto teve início às 8h50, na altura do quilômetro 656, em Presidente Epitácio, e prosseguiu à tarde no centro da cidade.

Depois de parar a Raposo durante três horas, os manifestantes saíram em passeata e cercaram o fórum. As polícias Militar e Rodoviária apenas acompanharam a manifestação. O protesto ocorreu um dia depois da manifestação realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Presidente Prudente, cidade da região, encerrando uma marcha de cinco dias.

Segundo o coordenador nacional do Mast, Lino de Macedo, o ato não teve qualquer relação com o MST, embora os objetivos fossem os mesmos: protestar contra a lei estadual que legitimou as áreas com até 500 hectares no Pontal, a demora no julgamento das ações discriminatórias das terras devolutas e reivindicar o assentamento das famílias acampadas. Segundo Macedo, só o Mast tem 3 mil famílias sob barracos na região.

Militantes da União dos Movimentos Sociais pela Terra (Uniterra), da Associação Renovadora dos Sem Terra (Arst) e da Nova Força Brasil, movimentos menores, juntaram-se ao Mast no protesto. Os manifestantes estacionaram 65 carros sobre a rodovia e os acostamentos, fechando completamente o tráfego nos dois sentidos. Homens, mulheres e crianças com faixas, cartazes e estandartes simulando foices e enxadas, postaram-se sobre a pista. Uma hora depois, a fila de carros e caminhões atingia quatro quilômetros nos dois sentidos.

O motorista gaúcho Ilton Cagol, que levava uma carreta com carne de Bataguassu (MS) para Santiago, lamentava o azar.