Técnicos de 15 secretarias estaduais de Saúde e jornalistas discutem amanhã (17) e terça-feira (18), em seminário, na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB), a epidemiologia da hanseníase, a circulação de informações a respeito da doença e o esclarecimento da população, linguagem e mobilização social para ação comunicativa a respeito do diagnóstico, cuidados e tratamento da doença.

Dados referentes a 2008, sobre a situação epidemiológica da hanseníase no Brasil, mostram que o coeficiente de detecção da doença é de 21,08 pessoas a cada 100 mil habitantes. Os números são do Ministério da Saúde.

A hanseníase prevalece em regiões sem saneamento básico da Amazônia Legal (38,9% dos casos) e do Nordeste. Os estados com maior incidência são: Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Maranhão, Pará, Roraima, Piauí, Acre e Pernambuco. Tocantins lidera em número de novos casos diagnosticados.

A doença atinge mais os homens (55,2% dos novos casos) do que as mulheres. Conforme estudo do ministério, 53,4% das pessoas infectadas não concluíram o ensino fundamental e 8,7% das pessoas são analfabetas. O baixo perfil escolar dificulta a orientação das pessoas, é o que afirma Kátia Souto, consultora da Secretaria de Vigilância da Saúde do ministério e uma das responsáveis pelo seminário.

Segundo ela, a população mais vulnerável à hanseníase tem dificuldades de acesso a informações, principalmente as que constam em folhetos impressos, o que exige estratégias especiais de comunicação para tratar da doença. “A comunicação é imprescindível para a informação e prevenção e para romper com preconceito e o estigma em torno da doença.”

Para Kátia, o rádio é o veículo ideal para alcançar uma população dispersa e pouco escolarizada. Participam do seminário as jornalistas Mara Régia e Luiza Inês, respectivamente, da Rádio Nacional da Amazônia e da Rádio Nacional AM, além do ouvidor das duas emissoras da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Fernando Paulino.

A hanseníase é infecciosa, crônica e pode deixar seu portador com incapacitações físicas, inclusive na faixa etária economicamente ativa. A doença é transmitida pelo contato a longo prazo com pessoas portadoras e pode levar até sete anos para se manifestar.

Iniciada a medicação, cessa o contágio. Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento, menor a possibilidade de sequelas. O percentual de cura verificado, em 2008, foi de 80%. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail hanseniase@saude.gov.br ou pelo Disque Saúde, no número 0800 61 1997. A ligação é gratuita.