Brasília – Após mais de oito horas de discussão, o governo aprovou ontem, por 55 votos a 25, o texto-base da reforma da Previdência em primeiro turno no Senado. Oitenta senadores de um total de 81 estavam presentes no plenário. Não houve abstenção. Decepcionados com a vitória do governo, cerca de cem servidores que estavam nas galerias do Senado deixaram o local cantando o Hino Nacional.

A aprovação de ontem no Senado foi considerada mais uma vitória do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a oposição e a ala radical do PT. O governo já havia vencido duas batalhas anteriores na Câmara dos Deputados. Uma das surpresas de ontem foi o senador Paulo Paim (PT-RS), que acabou com o mistério e confirmou voto a favor do texto principal da reforma da Previdência.

Ele alegou que as negociações em torno do subteto, das regras de transição, da paridade e da taxação dos inativos avançaram junto ao governo. Paim afirmou que tinha a garantia do próprio presidente Lula, do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, dos presidentes da Câmara e do Senado, e dos líderes da base de que a PEC paralela contemplará todos estes temas e será aprovada em meados de janeiro. “Negociar é preciso. Pressionar é preciso, mas não dá para achar que vamos ganhar 100% das reivindicações. Oitenta por cento dos pontos estão contemplados e tenho a palavra do presidente da República. Se não acreditar nisso, tenho que sair do partido”, disse Paim. Os servidores na galeria ficaram decepcionados com a decisão de Paim. Ele era a única dúvida do PT na votação.

Já a senadora Heloísa Helena (PT-AL) subiu à tribuna do Senado para um depoimento emocionado e confirmar seu voto contra à reforma. Sob lágrimas, a senadora disse que votará contra a Previdência porque repetirá a posição adotada por seu partido em votações anteriores, quando ela foi líder da oposição no governo FHC. “Vamos votar os destaques logo mais, e vou votar como o PT votou seis vezes contra a taxação dos inativos. Estou votando de consciência tranqüila, porque não tenho que justificar meu voto. É como se estivessem arrancando meu coração, mas jamais me arrependerei deste momento e deste voto que estou dando hoje”, disse, sendo aplaudida de pé pelos servidores que assistiam o discurso da galeria do plenário.

Ela lembrou que, ao ser líder do PT, quase foi “aos tapas” para defender o partido e nomes do PT, como o presidente Luiz Inácio Lula, José Dirceu (ministro-chefe da Casa Civil) e outros, que hoje a condenam. “Ninguém é mais PT do que eu! A cúpula do governo não pode ostentar a estrelinha mais que eu! Ninguém pode dizer que defendo privilégios”, afirmou.

A reforma da Previdência, no entanto, foi aprovada em primeiro turno com a ajuda de muitos votos da oposição.