Brasília

(AE) – O presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), disse ontem que o assassinato do jornalista Tim Lopes por traficantes de droga, no Rio, deveria servir como um “marco” no combate ao crime organizado no Brasil, porque mostra que o quadro de violência chegou a um nível insustentável. “O crime organizado está nos vencendo” constatou. Segundo ele, a situação exige que a sociedade e os poderes públicos se mobilizem para devolver a segurança à população. Além do endurecimentos das penas, o senador acredita que o governo tem de investir no aparelhamento e na atuação das polícias para impedir que os traficantes continuem impunes. “Tem de pegar dinheiro e aplicar na segurança pública para que o bandido não fique mais armado do que o poder público”, defendeu. Para Tebet, somente uma polícia bem armada conseguirá sufocar o crime organizado. “Não podemos reagir só com terços nas mãos”, justifica.

O senador alega que o Congresso tem feito a sua parte criando penas mais duras para os traficantes. Não soube explicar, porém, porque apenas os senadores têm se preocupado em votar essas matérias, enquanto que a Câmara se limitou ao discurso de seu presidente, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), favorável a dar prioridade à questão da segurança. “Estamos perdendo a batalha há muito tempo”, reiterou Tebet. Ele reconheceu que a solução vai demorar, porque chegou a tal gravidade que não pode ser resolvida “num estalar de dedos”, mas, sim, por uma ação contínua e permanente. Ele descartou a possibilidade do governo federal intervir no Rio de Janeiro para comandar o ataque ao crime organizado.

Também acha exagero comparar o Brasil com a Colômbia, devido à presença do narcrotráfico em vários setores do País. “Deus me livre”, reagiu. “É isso o que devemos evitar”.