Brasília – A senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) comentou ontem o discurso do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, na Assembléia Legislativa de Goiânia no qual ele disse que a direita estaria querendo o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acusado de ser um dos executores de suposto esquema de pagamento de mesada a deputados do PP e do PL pelo PT, Delúbio fez um discurso emocionado na quinta-feira, durante cerca de meia hora, e chorou por três vezes.

"Não é por acaso que o Delúbio está com os nervos à flor da pele. Ele está assumindo tudo sozinho. Ele está assumindo a responsabilidade que não é só dele. Ele está assumindo a responsabilidade de ações partidárias de um grupo muito maior, por isso está agora mostrando sinais de que não vai agüentar sozinho", afirmou Heloisa.

Mas a previsão é de que a pressão sobre os envolvidos no esquema do mensalão deva continuar. O cruzamento de dados do relatório do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre os saques milionários feitos pelas empresas do publicitário Marcos Valério de Souza com informações dos partidos mostra que o troca-troca partidário foi mais intenso na Câmara no período em que foram registradas as maiores retiradas de dinheiro em espécie no Banco Rural. Pelos dados liberados pelo Coaf até agora, o maior volume de saque ocorre entre os meses de setembro e outubro de 2003, prazo limite para a mudança de partido para quem desejava disputar a eleição municipal em 2004.

Segundo dados oficiais da Câmara, de agosto a outubro, 47 deputados mudaram de legenda. Isso representa quase um terço dos 160 deputados que trocaram de sigla nesta legislatura. A quase totalidade dos 47 parlamentares foram para partidos da base aliada. Neste mesmo período, os saques das empresas de Valério somaram R$ 6,4 milhões, de acordo com os dados do Coaf.