Foi um domingo repleto de idas e vindas, com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sendo revogada e depois reafirmada pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Confira a sequência dos fatos, do início até o (imagina-se) final da crise que opôs integrantes do mesmo tribunal:

Sexta-feira, 06/07, 19h32

Os deputados petistas Paulo Teixeira, Wadih Damous e Paulo Pimenta protocolam um pedido de libertação do ex-presidente Lula no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Outras solicitações foram feitas às 19h43 e às 19h59. Como nesse horário já havia começado o plantão da corte, os pedidos vão para o juiz plantonista Rogerio Favreto, e não para o relator da Lava Jato no tribunal.

Domingo, 08/07, 9h05

O desembargador Rogério Favreto determina em despacho a soltura do ex-presidente Lula. Entre os argumentos, estão a falta de fundamentação da ordem de prisão, de abril, não especifica os motivos para o petista ser preso. Também cita, como “fato novo”, a condição de pré-candidato à Presidência dele.

11h49

Petistas protocolam petição reclamando da demora para o cumprimento da decisão de soltura e da ausência de delegado na sede da PF.

Os deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous. Foto: Albari Rosa
Os deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous. Foto: Albari Rosa

12h05

Sergio Moro, que condenou Lula em primeira instância, escreve em despacho que Favreto é “autoridade absolutamente incompetente” para determinar a soltura de Lula. Se a polícia cumprir, diz o juiz paranaense, estará descumprindo ordem da turma do TRF-4 que ordenou a prisão.

12h44

Favreto reitera, em despacho, a ordem de soltura afirmando que qualquer agente pode liberar o ex-presidente. Também afirma que o descumprimento acarreta em “responsabilização de descumprimento de ordem judicial”.

14h13

Relator da Lava Jato no TRF-4, João Pedro Gebran Neto, que votou pela condenação de Lula em janeiro e pela prisão assim que não houvesse mais recursos no caso do tríplex na corte, publica despacho determinando que a PF não solte o ex-presidente. “A decisão proferida em caráter de plantão poderia ser revista por mim, juiz natural para este processo, em qualquer momento”, escreveu.

15h30

Aumenta a movimentação no entorno da sede da Polícia Federal em Curitiba. Manifestantes a favor e contra o ex-presidente entram em confronto.

Thompson Flores, presidente do TRF-4. Foto: Divulgação
Thompson Flores, presidente do TRF-4. Foto: Divulgação

16h12

Favreto expede nova ordem, determinando a soltura de Lula no prazo de uma hora e contestando o documento de Gebran. Ele escreveu ainda que vai levar o caso de Moro ao Conselho Nacional de Justiça.

18h30

Um coletivo de 15 advogados entra no Tribunal Regional Federal da 4ª Região a prisão do juiz federal Sérgio Moro e do diretor-executivo da PF no Paraná. Eles alegam que ambos teriam descumprido alvará de soltura emitido pelo desembargador Rogério Favreto.

19h38

Carlos Thompson Flores, presidente do TRF-4, anula pedido de soltura e mantém o ex-presidente preso.