Brasília

– Representantes dos servidores públicos em greve desde o dia 8 de julho se reuniram, ontem, com o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, e avisaram que, a partir de agora, vão “radicalizar” o movimento. O grupo anunciou que a marcha dos servidores públicos a Brasília contra a reforma da Previdência, foi antecipada da segunda semana de agosto para o dia 6. Os servidores deram uma mostra de que não estão brincando e ontem de manhã invadiram o 8.º andar do Ministério, onde fica o gabinete do ministro. “O ministro Berzoini disse que não poderá atender nossas reivindicações, pois mantém uma postura de governo”, disse a diretora do Sindicato dos Trabalhadores de Saúde, Trabalho e Previdência Social do Rio de Janeiro, Janira da Rocha, que participou da reunião.

O Ministério da Previdência divulgou nota oficial em que classifica como “ato desnecessário” a manifestação feita dos servidores no hall do 8.º andar do prédio onde está instalado o gabinete do ministro Ricardo Berzoini (Previdência). A nota afirma também que manifestações como a de ontem prejudicam um ambiente de entendimento e negociação. O Ministério esclarece, na nota, que não havia na agenda de Berzoini nenhuma audiência marcada ou solicitada por lideranças sindicais. Informa também que o ministro recebeu uma comissão de oito sindicalistas e que um grupo de trabalho foi instalado, há pouco mais de um mês, para buscar uma solução para o caso de servidores que reivindicam o pagamento de uma gratificação criada na década de 80.

Enquanto os servidores demonstram intenção de radicalizar, representantes do chamado Grupo que reúne deputados das correntes mais à esquerda do PT, defenderam ontem novas rodadas de negociação da proposta de reforma da Previdência, antes de sua votação no plenário da Câmara. Em nota intitulada “Previdência: Na Vez do Plenário, a Voz do Diálogo”, distribuída ontem, o grupo afirma que é necessário corrigir o que considera “distorções” no texto aprovado anteontem por integrantes da Comissão Especial.”

É necessário abrir espaço para negociação, e esperamos que a tese do açodamento e fechamento de questão, ocorrida na comissão especial, não seja repetida no plenário, sem a correção de pontos da proposta de reforma”, afirmou o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), ex-líder do PT na Câmara e membro do grupo. “O PT nunca foi uma bancada obediente, mas disciplinada. Não é apenas dizer amém, por isso tem que discutir”, disse o deputado Chico Alencar (PT-RJ). “Ser da base não significa não ter senso crítico.”

Os deputados petistas querem rediscutir o projeto para alterar pontos como o limite de isenção para a cobrança de contribuição de servidores aposentados, fixado em R$ 1.058 e a redução em 30% do benefício a ser pago a futuros pensionistas.