O deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) teria cobrado uma propina mensal de R$ 10 mil ao concessionário Sebastião Augusto Buani, que explora o restaurante Fiorella, situado no 10.º andar do Anexo IV da Câmara, para manter seu funcionamento sem licitação.

A denúncia, feita pelas revistas Veja e Época, se baseou em um texto que teria sido escrito pelo concessionário e depois digitado em um computador por um funcionário dele. Nas duas reportagens, o concessionário nega a denúncia e a propina.

O texto-denúncia que as revistas atribuem a Buani – elas não informam se tiveram acesso ao manuscrito ou à reprodução digitada – relata que em 2002, ele, Buani, teria pago R$ 40 mil de propina, sendo R$ 20 mil a Severino e R$ 20 mil ao deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) para manter a concessão do restaurante. Em 2002 Severino era primeiro-secretário da Mesa da Câmara e Patriota não tinha cargo na Mesa (seria primeiro-suplente de secretário na legislatura seguinte).

À época, Severino teria assinado um documento, que a Veja chama de "clandestino ato de ofício", através do qual prorrogou a concessão de Buani até 2005 sem fazer uma necessária licitação. A partir de março de 2003 Buani teria passado a pagar uma propina mensal de R$ 10 mil a Severino, mas suspendeu o pagamento a partir de dezembro de 2003. Mesmo assim, ele ganhou a licitação que a Câmara finalmente fez em setembro de 2004.

Vencida a licitação, Buani passou a pagar à Câmara um valor mensal de R$ 11.580 pela concessão. Essa taxa elevada o teria levado a dificuldades financeiras e a acumular uma dívida que, segundo revela a Veja, já atinge um montante de R$ 105 mil. Esta não é, no entanto, o único contencioso do denunciante com a Câmara: seu contrato de concessão vence este mês e ele não poderá renová-lo se antes não quitar a dívida.

De acordo com a Veja, num determinado momento Buani chegou a ter oito concessões na Câmara. Mas, a partir de dezembro de 2003, com a suspensão da propina, caiu em desgraça com Severino e perdeu seis delas. Mas a reportagem não explica como foi possível a Buani, estando em desgraça com Severino e com a Mesa Diretora da Câmara, ganhar a licitação de setembro de 2004.

Segundo a revista, Buani entregava o dinheiro da propina mensal a uma das secretárias da presidência da Câmara, Rucely ou Gabriela, e, em pelo menos uma das vezes, entregou um maço de dinheiro ao próprio Severino. Um dos pagamentos, teria registrado ele no texto-denúncia, foi feito com um cheque do Bradesco que teria sido descontado pelo motorista de Severino.