Com a renúncia de Joaquim Roriz (PMDB-DF), a vaga no Senado vai para seu primeiro suplente, Gim Argello (PTB-DF). Ele também é acusado de irregularidades apuradas na Operação Aquarela, da Polícia Civil do Distrito Federal. Pelo regimento, Argello tem até 90 dias para assumir o mandato. Mas, como ?driblou? a proposta de Roriz para renúncia conjunta, ninguém aposta que Argello demore tanto.

Roriz passou o dia tentando convencê-lo a renunciar. Esperava, assim, arrefecer as investigações em torno do cheque de R$ 2,2 milhões que recebeu do empresário Nenê Constantino, dono da Gol.

Argello, vice-presidente do PTB e ex-deputado do Distrito Federal, dizia que uma renúncia desse jeito equivale à confissão antecipada de que cometeu irregularidade com o cheque. Roriz mandou um emissário lembrar seu suplente que ele é o principal intermediário da operação com o cheque, por ser amigo íntimo de Constantino e estar envolvido em operação imobiliária feita em Brasília, no valor de R$ 47 milhões, dos quais R$ 37,1 milhões já foram pagos.

Para Roriz, a posse de Argello seria só o capítulo seguinte de mais uma renúncia. Pior: com Argello sob investigação, ele acredita que continuaria no olho do furacão, mesmo após ter renunciado. Até alertou o suplente para o fato de que os procuradores e o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), estão perto de provar a suspeita de que o cheque de R$ 2,2 milhões era a comissão pela venda de um terreno na operação que também envolve o empresário Wigberto Tartuce.