O depoimento de uma testemunha à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo reforçou a suspeita contra 14 policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) que participaram, na semana passada, da morte de dois jovens. As informações fornecidas por um colega de uma das vítimas contradisse o relato dos PMs, que estão presos desde o sábado passado.

Segundo o corregedor da PM, coronel Levi Anastácio Félix, a testemunha ouvida apontou que uma das vítimas teria sido presa em Guarulhos, na Grande São Paulo, horas antes da suposta perseguição à dupla, alegada pelos homens da Rota.

A testemunha contou que praticava roubos com o comparsa. Quando este foi preso no dia 6, a testemunha conseguiu escapar, mas acabou presa em Diadema, na região metropolitana, no dia seguinte.

A distância entre Guarulhos e a avenida em que teria ocorrido a suposta perseguição feita pela Rota é de mais de 30 quilômetros. “Isso fortaleceu o nosso conjunto probatório e subsidiou o pedido de prisão temporária”, explicou o corregedor.

Na versão dos policiais, os homens morreram baleados após perseguição a um carro na Avenida Doutor Felipe Pinel, em Pirituba, na zona oeste de São Paulo. Os PMs alegaram que os homens reagiram à prisão e estavam armados com revólver, submetralhadora, além de terem duas bananas de dinamite.

A testemunha contou ter visto o momento em que uma das vítimas foi pega pela Rota, colocado ao chão, e então decidiu ligar para a família do homem para avisar que ele havia sido preso em Guarulhos. Os familiares do ladrão tentaram localizá-lo em delegacias da cidade e, ao não encontrá-lo, recorreram à corregedoria.

Tiros

Além do depoimento, a corregedoria divulgou ontem que quatro dos policiais da operação dispararam um total de 16 tiros. A polícia aguarda o resultado dos laudos necroscópicos para constatar quantos dos disparos atingiram os dois homens. Os policiais não ficaram feridos na ação.

As viaturas utilizadas na perseguição também deverão ser vistoriadas. “Quero saber se a morte ocorreu realmente ali ou se eles já foram levados mortos, em que local isso aconteceu”, disse o coronel. Segundo a corregedoria, os policiais presos já responderam a outros processos envolvendo mortes em ocorrências, mas em nenhum deles houve comprovação de homicídio. Um deles tinha 23 anos de experiência na Rota. Felix afirmou que os PMs mantiveram a versão apresentada ao oficial após a ocorrência e, diante das contestações que surgiram, decidiram se manter em silêncio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.