Brasília (AG) – O sucesso, seguido de estrondoso fracasso da candidatura de Roseana Sarney à Presidência, provocou uma reviravolta na sucessão presidencial, mas manteve as mulheres em alta. Tanto que o tucano José Serra buscou dar um tempero feminino em sua chapa e conseguiu uma bela representante, a deputada Rita Camata (PMDB-ES), para ser sua candidata a vice. Serra garantiu elogios dos adversários, que passaram a analisar a possibilidade de ter, também, uma mulher como candidata a vice. No rastro de Rita já despontam outras candidatas a estrelas, como a senadora Marina Silva (AC) apontada como alternativa para uma chapa puro-sangue do PT, ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva.

O pré-candidato do PPS, Ciro Gomes, tem pelo menos duas mulheres entre os cinco nomes que o PTB está submetendo a uma pesquisa para indicar o candidato a vice da chapa da Frente Trabalhista (PPS, PTB e PDT): a ex-vereadora gaúcha Sônia Santos e a ex-primeira-dama de São Paulo Ilka Fleury. Anthony Garotinho, pré-candidato do PSB, não esconde que está atrás de uma mulher para ser sua candidata a vice. Seu nome preferido é o da ex-prefeita de Natal Vilma Faria.

Também cotada para ser candidata a vice na chapa de Garotinho, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) rejeita a afirmação de que o apelo emocional deva ser prioridade numa campanha. “Não precisa ser mulher para que o eleitor seja tocado pelos problemas sociais”, disse ela, que foi prefeita de São Paulo pelo PT entre 1989 e 1992. Apesar de trajetórias distintas, essas novas personagens da vida pública garantem que chegaram para ficar, independentemente de conseguirem ou não uma vaga de vice na disputa presidencial. Para a senadora Marina Silva, a explicação para isso é simples: “A mulher agrega novos valores nesse processo político, pois sua própria natureza a leva ser mais aberta à negociação, menos centralizadora e a dar preferência ao consenso em vez da disputa”.

Marina chegou ao Senado em 1995 como uma vitoriosa. Se for escolhida candidata a vice de Lula, o contraponto à beleza de Rita Camata será a bela história de vida da seringueira conterrânea de Chico Mendes. Nascida e criada até a adolescência no Seringal Bagaço, no Acre, ela só conseguiu se alfabetizar aos 17 anos pelo Mobral, depois que foi morar em Rio Branco para se tratar de uma hepatite. Companheira de Chico Mendes, Marina se filiou ao PT em 1985 e disputou sua primeira eleição no ano seguinte.

Embora tenha sido a quinta mais votada no Estado, seu partido não conseguiu alcançar o coeficiente eleitoral e ela perdeu a vaga na Câmara. Dois anos mais tarde, foi eleita vereadora e depois deputada estadual. Candidata à reeleição para o Senado, Marina não descarta a possibilidade de seguir outro rumo caso seu partido assim queira. Já a ex-prefeita Vilma Faria chegou à política pelas mãos do ex-marido Lavoisier Maia. Mas não demorou muito para criar seu próprio espaço na política do Rio Grande do Norte. “Venci todos os preconceitos. Primeiro o da separação, depois consegui mostrar que sou uma boa gestora. Acho que uma mulher com ousadia para assumir determinadas posturas abre portas para as outras”, ressalta Vilma.