Os prejuízos para as empresas de transporte rodoviário que transitam na fronteira do Brasil com os países do Mercosul já atingem cerca de US$ 2 milhões, desde o início da greve dos auditores fiscais da Receita Federal dia 18 de março. A estimativa é do vice-presidente da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), José Carlos Becker. Segundo ele, mais 1000 caminhões formam filas atualmente nos principais portos secos rodoviários brasileiros (Uruguaiana, Livramento, Foz do Iguaçu, Jaguarão, São Borja e Chuí).

"Os caminhões estão esperando de oito a dez dias para serem liberados", diz Becker, acrescentando que apenas os produtos perecíveis e considerados perigosos, mesmo entrando em canal vermelho, estão sendo liberados. Apenas em Uruguaiana, principal porto seco da América Latina, por onde transitam em média 700 caminhões por dia, cerca de 30% deles estão ficando retidos, sob o aguardo da fiscalização dos auditores fiscais da Receita Federal.

A indústria automobilística é a principal usuária do porto seco de Uruguaiana, mas também são transportados pelo local produtos eletrônicos, máquinas e implementos agrícolas, gases e derivados de petróleo. "Um caminhão que vai de Uruguaiana a Buenos Aires geralmente em sete horas agora está levando quase 10 dias", salienta.

Nos principais portos secos brasileiros transitam mais de 2,5 mil caminhões diariamente e, segundo Becker, entre 20% e 30% deles enfrentam dificuldades na liberação das cargas. "A greve já está tomando grandes dimensões e o governo até agora não tomou uma posição clara quanto à reivindicação da categoria. Estamos muito pessimistas", afirmou.