Nove pessoas podem ter morrido em um naufrágio no Rio Cuiabá, depois de a chalana Sami Tô a Tôa, que levava 22 turistas, ter supostamente explodido um dos motores nesta madrugada, por volta das 4h. Três corpos não identificados foram resgatados. As buscas foram suspensas no início da noite por causa da forte correnteza e da escuridão no Pantanal e devem ser retomadas amanhã.

Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Alcides Domingues de Oliveira, as causas do acidente ainda são desconhecidas, e as informações, "fragmentadas". As vítimas – tripulação e pescadores – estariam dentro do barco no fundo do rio. "Ouviu-se um barulho forte, e em seguida o barco virou e afundou em menos de 30 segundos", relatou ele.

Em nota, o Corpo de Bombeiros solicitou às famílias das vítimas para não se aproximarem do local do acidente. "O local é de difícil acesso e o sistema de comunicação funciona precariamente", disse o capitão.

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Capitania dos Portos e um helicóptero da Polícia Militar continuam no local para tentar resgatar as vítimas do naufrágio e transportar os sobreviventes que estão em fazendas da região para as cidades mais próximas. Utilizado para passeios, o barco, que saiu do Hotel Sesc Pantanal, tinha como destino trechos para a prática de pesca ao longo do Rio Cuiabá.

A Capitania dos Portos calcula que 13 sobreviventes tiveram de nadar 15 metros até a margem do Rio Cuiabá, na comunidade Moreti no município de Poconé, a 100 quilômetros de Cuiabá. Naquele trecho do rio de água escura, a profundidade é superior a dez metros. Duas vítimas chegaram até a Fazenda Moreti e teriam entrado em contato com familiares. A relação das vítimas não foi divulgada pelo Corpo de Bombeiros.

O barco-hotel partiu da localidade de Porto Cercado (distrito de Poconé, MT) por volta das 3h de domingo. A embarcação foi alugada por um funcionário em férias do Banco do Brasil. A assessoria de imprensa do banco informou que os turistas que estavam pescando não têm ligação com a instituição bancária.

A embarcação é inscrita na Capitania dos Portos para ser usada em "esporte e recreio". Na última inspeção, feita em janeiro, o estado geral do barco e dos coletes salva-vidas era bom, segundo a Capitania. A embarcação particular segue o modelo dos barcos regionais nos quais os turistas optam por dormir em camarotes. O barco tem capacidade para 50 pessoas.