Brasília

Em um julgamento histórico e inédito, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato de um senador, João Capiberibe (PSB – Amapá), por ter concluído que houve compra de votos na campanha da sua eleição de 2002. No mesmo julgamento, a mulher dele, a deputada federal Janete Capiberibe (PSB-AP), também perdeu o mandato. Primeiro senador a ser cassado na história pelo TSE, Capiberibe (foto) é um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou, durante todo o processo, com manifestações de apoio da maioria dos colegas senadores e de figuras expressivas do governo.

Quatro dos seis ministros do TSE que participaram do julgamento do casal Capiberibe entenderam que ficou comprovado que houve compra de votos na eleição de 2002. Para tanto, levaram em conta depoimentos de duas testemunhas dizendo que venderam seus votos por R$ 26 e a descoberta de R$ 15.495 e vales-combustível escondidos no forro da residência e em um canil na casa de correligionárias de Capiberibe.

O casal poderá ficar nos cargos por pelo menos mais um mês. E, teoricamente, pode apresentar recurso ao TSE chamado embargo. Entre o encaminhamento do recurso e o julgamento, calcula-se o prazo de um mês. Depois disso, poderão ser apresentados outros recursos ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas os parlamentares terão de deixar o Congresso.

Suplente

A vaga de Capiberibe será ocupada pelo autor do processo que resultou na cassação de seu mandato, o ex-senador Gilvan Borges (PMDB-AP). Ele se inclui, entre as figuras mais bizarras que já passaram pela Casa. No tempo em que era senador, Borges empregou a mãe e a esposa em seu gabinete. A justificativa foi pior do que o gesto: “Uma me pariu e a outra dorme comigo”, explicou, na ocasião.