As exportações de carne do Brasil para a Europa voltam a ser alvo de uma polêmica dentro do governo. A reportagem do "O Estado de São Paulo" teve acesso a um comunicado interno do Ministério da Agricultura que causou pânico entre o setor privado. O documento, do dia 2 de abril, alertava que as empresas exportadoras teriam de ter cautela na compra de carne de fazendas que, teoricamente, já teriam sido autorizadas a vender.

O problema é que empresas compraram carne e gado dessas fazendas acreditando que estavam certificadas para serem exportadas para o mercado europeu. No fim de fevereiro, a União Européia (UE) barrou as carnes brasileiras, afetando exportações de US$ 1,4 bilhão por ano. O motivo era a falta de certificação sanitária. Algumas semanas depois, 95 fazendas foram autorizadas a vender, depois de uma ampla inspeção feita pela UE. Nos últimos dias, porém, o setor privado levou um susto. Segundo um comunicado do governo, os europeus não estariam liberando automaticamente a carne de cada uma das fazendas liberadas para a exportação. ?Em decorrência do problema (sanitário), a exportação está vinculada à liberação de fazendas habilitadas previamente, o que reduz consideravelmente o volume de carnes em condições de serem exportadas?, apontou o Ministério da Agricultura no documento.

O Ministério da Agricultura ainda faz uma advertência e sugere que ?se tenha precaução no abate de animais dessas fazendas, com vistas a exportação de carnes para a UE, até que se disponha de um posicionamento, formal e definitivo, das autoridades sanitárias européias?.