Campinas  – Um dia depois de declarar que “o pau vai comer” no instante em que o governo decidir enfrentar os problemas com as universidades no país, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, deu indicações ontem de qual deve ser o maior enfrentamento com o setor.

Entre os vários desafios, Dirceu adiantou: “Um problema gravíssimo é o peso da folha de pagamento dos inativos (das universidades públicas)”, disse o ministro, durante encontro com lideranças políticas e empresariais em Campinas, no interior de São Paulo.

A declaração inicial sobre mudanças nas universidades públicas foi feita nesta quinta-feira, no fim da palestra “Desenvolvimento com distribuição de renda: esse é o nosso desafio”. Ao falar da necessidade de se rediscutir o papel da universidade pública, Dirceu tratou de explicar que o ministro da Educação, Cristovam Buarque, já está discutindo essa questão. Ele argumentou que a universidade pública precisa investir em pesquisa e se consolidar como a “coluna educacional do país.”

“Queremos manter a universidade pública gratuita, além de expandi-la, consolidá-la e transformá-la na coluna do sistema educacional do país. Porque ela é que faz pesquisa, ela forma os educadores, ela é o pensamento crítico, a consciência da nação. Temos que revolucionar. Se ela continuar como está, vai entrar em crise atrás de crise e será ultrapassada pelo ensino particular, que começará a investir em pesquisa e começará a melhorar sua qualidade pela exigência dos estudantes, que irão se recusar a ir para uma faculdade particular que não tenha qualidade”, disse Dirceu.

Já o ministro da Educação, Cristovam Buarque, disse que a promessa de uma revolução nas universidades brasileiras no ano que vem reflete o pensamento da comissão criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O presidente está preocupado, o mundo está preocupado com a situação das universidades. O mundo inteiro está passando por uma reformulação e haverá uma mudança ao longo dos próximos meses, sobre a qual o governo quer conversar. Mas isso vai demorar meses. Não vai ser feito na marra”, afirmou.

Juros

José Dirceu também disse que quem decide a taxa básica de juros (Selic) é o Banco Central (BC) e não o governo. “Nós, do governo, só fazemos avaliação política e discussão com a sociedade sobre a política ec onômica”, afirmou.

Eleições

“Eu não sou do PT; sou ministro-chefe da Casa Civil”, disse o ministro sobre a expectativa do partido para as próximas eleições municipais. Ele afirmou que não conhece o assunto. Dirceu também se esquivou de falar também sobre a reforma ministerial. “É assunto do presidente Lula”, resumiu.

PT reage a manifesto

Brasília

– O secretário-executivo de Relações Internacionais do PT, deputado Paulo Delgado, respondeu ontem ao manifesto divulgado pelo jornal londrino de esquerda “Socialist Resistance”, contendo assinaturas de intelectuais como o lingüista norte-americano Noam Chomsky e o cineasta Kean Loach.

O manifesto critica a decisão do PT, que deverá ser formalizada em reunião do Diretório Nacional a ser realizada próxima semana, de expulsar três deputados e a senadora Heloísa Helena (AL) por terem votado contra a reforma da Previdência.