A Fiocruz divulgou um comunicado nesta sexta-feira (19) afirmando que a vacina da AstraZeneca/Oxford protege contra a variante brasileira do novo coronavírus. A conclusão é de uma pesquisa que ainda não foi revisada por outros cientistas nem publicada em revista, mas está disponível online.

O estudo, que teve a colaboração de pesquisadores da Fiocruz Amazônia e do laboratório de vírus respiratórios do Instituto Oswaldo Cruz (Ioc), mostrou que a cepa identificada em janeiro em Manaus (P.1) reage ao imunizante de forma idêntica à cepa britânica (B.1.1.17).

Os pesquisadores avaliaram a capacidade da variante do Amazonas de “escapar” de diferentes tipos de anticorpos: os induzidos por vacinas, os gerados por quem já teve a infecção e os chamados anticorpos monoclonais, que são um tipo de remédio biológico.

Para isso, eles coletaram amostras de soro de 25 pessoas que receberam a dose de Oxford e de outras 25 que receberam a dose da Pfizer. O resultado foi que a P.1 não comprometeu o efeito dos imunizantes, apesar de se verificar uma pequena perda de neutralização do vírus na comparação com as cepas mais comuns.

A Fiocruz credita essas informações à médica carioca Sue Ann Costa Clemens, coordenadora dos centros de pesquisa da vacina de Oxford no Brasil e diretora do Instituto para a Saúde Global da Universidade de Siena (Itália).

Segundo ela, os pesquisadores esperavam que a variante brasileira se comportasse como a sul-africana, mas não foi o que aconteceu. “Testes indicaram que ela tem comportamento semelhante à britânica, em que há, sim, impacto na neutralização [do vírus]”, afirmou à fundação.

No mês passado, a Universidade de Oxford já havia anunciado que a vacina da AstraZeneca é eficaz contra a mutação britânica, evitando mais de 70% dos casos leves e 100% dos casos graves e hospitalizações. A efetividade caiu pouco se comparada às cepas mais comuns, de 80% para 75%, de acordo com a pesquisadora.

Sobre a variante brasileira, porém, ainda não se tem esse número exato. “Temos que esperar os estudos de efetividade aqui, mas acreditamos que vá ser um índice parecido para a P.1. É um resultado muito positivo”, declarou.

O outro imunizante disponível no Brasil, Coronavac, desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac, também já mostrou proteger contra a cepa de Manaus e outras duas que circulam no país, segundo pesquisa preliminar realizada por cientistas do Instituto Butantan e da USP.

Foram analisadas amostras de 35 participantes vacinados, divulgou o instituto no último dia 10. O estudo completo vai incluir um número maior de amostras que já estão em análise, e os resultados serão divulgados posteriormente.

Os testes consistem em pegar uma amostra do soro das pessoas vacinadas, por meio de exame de sangue, e colocá-la em um cultivo de células infectadas com os vírus. Depois, observar se os anticorpos gerados em decorrência da vacina vão neutralizar, ou seja, combater o vírus nesse cultivo.

O Instituto Butantan entregou 24,6 milhões de doses da Coronavac ao Ministério da Saúde até o momento. Esse número deve chegar a 46 milhões em abril e a 100 milhões em agosto.

Já a Fiocruz começou a enviar seus primeiros lotes envasados no Brasil nesta quarta (17), somando 5 milhões de doses, se consideradas as vacinas importadas. A ideia é que a quantia chegue a 112 milhões até julho, e que no segundo semestre a fundação passe entregar imunizantes feitos com seu próprio insumo.