Pessoas que foram vacinadas contra a gripe suína podem ter falsos diagnósticos positivos para Aids caso façam o exame de HIV em menos de 30 dias após terem recebido a dose. A constatação levou o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde a encaminhar uma nota técnica aos profissionais de saúde alertando para a necessidade de se fazer contraprova em pacientes nesta situação.

De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o “falso positivo” para Aids ocorreu em um número reduzido de pessoas. “As pessoas que se vacinaram e tiverem de fazer o exame devem aguardar 30 dias. Caso seja uma questão de urgência, como as grávidas, devem avisar que foram vacinadas e, caso o resultado dê positivo, devem fazer a contraprova”, explicou o ministro, completando. “Isso acontece num número pequeno de pessoas”.

Em nota à imprensa, o departamento de DST/AIDS explicou que a alteração no resultado se dá pelo aumento do nível de anticorpos (IGM) após a vacina. O exame comum de HIV (Elisa) acaba confundindo este aumento com o soropositivo, mas o mesmo não ocorre com a contraprova feita através do exame Western Blot.

“O Elisa é um exame muito sensível, que detecta muitos tipos de infecção. Já o Western Blot é mais preciso”, explicou o infectologista Edmilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo o infectologista, as vacinas contra a gripe comum também provocam este tipo de resultado, nestas condições. De acordo com Migowski, o prazo ideal para que o sistema imunológico não acuse o “falso positivo” é de 3 meses.

Segundo a assessoria de imprensa do departamento, nenhum paciente chegou a receber o resultado positivo por engano, uma vez que sempre que há um primeiro laudo que confirme o soropositivo, o material é submetido ao exame Western Blot antes da comunicação ao paciente.

A nota técnica recomendando a contraprova aos pacientes que se submeteram a vacina em menos de 30 dias foi enviada a profissionais de saúde de todo o País, no dia 6 deste mês. Segundo a assessoria de imprensa, a medida foi tomada depois que uma publicação estrangeira alertou para o fato. O Ministério da Saúde reiterou a importância de que os grupos prioritários tomem a vacina contra H1N1.