São Paulo

– A Polícia Federal (PF) suspeita que contas bancárias administradas por doleiros brasileiros no exterior eram abastecidas até mesmo com recursos de campanhas políticas. A informação consta de um extenso relatório produzido pela Força-Tarefa CC-5, ação integrada da PF e da Procuradoria da República que investiga o caso Banestado – esquema que consolidou remessa de US$ 33 bilhões aos Estados Unidos e paraísos fiscais, segundo valor apurado pela Coordenação Geral de Fiscalização da Receita.

O diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, avisou que as investigações continuam. A PF não cita nome de nenhum político no relatório, mas espera identificar eventuais beneficiários das operações a partir da análise da contabilidade dos doleiros. O pedido da PF, datado de 26 de maio, foi acolhido pelos juízes Sérgio Fernando Moro e Bianca Cruz Arenhart, da 2.ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, e levou à prisão de 63 doleiros em sete estados. No capítulo “contra a ordem tributária”, a PF destaca que, “pela análise da documentação coligida, esses doleiros proporcionavam as condições necessárias para que empresas brasileiras pudessem facilmente praticar o subfaturamento e o superfaturamento de importações e exportações, suprimir ou reduzir tributos, omitindo informações”.