O vice-presidente do Senado, senador Tião Viana (PT-AC), confidenciou a um correligionário que o presidente do Conselho de Ética da Casa, senador Sibá Machado (PT-AC), está muito aborrecido com a exigência do líder do DEM, senador José Agripino (RN). O democrata deu a Sibá prazo de apenas 24 horas para que escolha um novo relator para o processo que tramita no Conselho contra o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposta quebra de decoro parlamentar. Segundo Viana, Machado pode até abandonar a presidência do Conselho, pois não se considera responsável pela demora na escolha de um relator, já que nenhum dos senadores se dispõe a assumir a função.

A queixa de Sibá Machado, segundo Viana, foi feita durante reunião concluída pelo senador Calheiros com o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), com o líder do PMDB, senador Waldir Raupp (RO), e com Tião Viana. E todos os participantes do encontro, segundo relato de Viana, se mostraram muito preocupados com as declarações do Agripino. O líder do DEM afirmou que, se Sibá não apresentar até amanhã um nome para a relatoria do caso Calheiros, vai convidar os líderes dos demais partidos políticos e chegarem a um consenso sobre um nome.

Embora Agripino tenha criticado a idéia de escolha de uma trinca de relatores de partidos diferentes, o governista Romero Jucá acha que justamente essa opção pode ser a melhor: "Essa fórmula é regimental e pode diluir responsabilidades e dividir uma tarefa que não é fácil nem prazerosa", afirmou. "Às vezes", completou, ‘é mais difícil encontrar achar um relator do que encontrar três." Senadores próximos a Calheiros estão defendendo a tese de que o tempo de duração do processo no Conselho dependerá das informações que os conselheiros requisitarem ao senador alagoano.

"O prazo vai depender do nível de perícia necessário e daquilo que for pedido para se esclarecer", disse Jucá, em defesa da tese de que o processo só vai andar, de fato, quando houver uma definição do que se quer nas investigações. Jucá advertiu, no entanto, que há coisas que não são da atribuição do Conselho, como, por exemplo, a investigação da situação fiscal dos compradores de gado que aparecem nos recibos e notas fiscais de venda de gado de Renan Calheiros nem pedir à Justiça a quebra de sigilo fiscal ou bancário. Jucá disse que, se o Conselho quiser esclarecer a questão das notas e recibos, terá que pedir a alguém que o faça.