Brasília

 – Depois de renunciar à liderança do PT no Senado, o senador Tião Viana voltou atrás e decidiu permanecer na função.

Na manhã de ontem, confrontado com o fato de que oito dos 14 senadores do partido haviam assinado um documento em apoio aos parlamentares radicais ameaçados de expulsão do PT, Viana chegou a anunciar sua renúncia.

Depois que os senadores decidiram retirar o documento, a permanência de Viana na liderança do partido começou a se viabilizar. À tarde, durante seu discurso na tribuna do Senado, ele fez um apelo à unidade e ao respeito à democracia no PT, mas não deixou claro se continuaria líder. Só depois de deixar a tribuna, Tião Viana confirmou que continuaria na liderança do partido.

No discurso, Viana reiterou a necessidade de respeito dos parlamentares às decisões do partido e lembrou que o direito de divergir faz parte da história do PT, assim como o respeito às decisões tomadas pela maioria. – Saberemos achar uma solução democrática, ética e sobretudo verdadeira – disse, em relação ao caso dos parlamentares petistas ameaçados de expulsão do partido.

A crise envolvendo o líder chegou ao ápice no início da tarde. Numa reunião às 8h30, Tião Viana demonstrou irritação com o documento assinado pelos senadores em favor dos petistas rebeldes. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, José Genoíno, participaram do encontro. Viana comunicou sua renúncia dizendo que não se sentia mais com autoridade para continuar na liderança. Ele afirmou que se sentia desconfortável com o documento, achando que sua autoridade fora ferida, já que não havia sido comunicado da decisão da bancada de produzir um documento em apoio aos radicais.

Segundo o senador Paulo Paim, o líder sai mais fortalecido do episódio. Para Saturnino, a retirada do documento não se trata de uma chantagem da direção do partido. Ele lembrou que a própria Heloísa Helena, um dos parlamentares ameaçados de expulsão, disse não abrir mão da liderança de Tião.