O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (PSDB-AM), comunicou em plenário que o partido mantém a sua posição em defesa do afastamento de Renan Calheiros da Presidência da Casa. O comunicado provocou uma reação enérgica de Renan e levou a um embate entre os dois. Virgílio afirmou que o PSDB não quer condenar Renan, mas garantir uma investigação isenta. "A questão do PSDB não é condená-lo à Torquemada. O PSDB quer um julgamento justo, limpo e adequado e teme que a confusão entre a cadeira (de presidente do Senado) e a situação turve as investigações", disse o líder tucano.

Virgílio também rechaçou a figura do capitão sugerida por Renan. "Não gosto da figura dos capitães. Não me candidato a tanto, mas me sinto limpo", disse. Virgílio disse que não era agradável a sua posição, mas que, como líder do PSDB, continuará defendendo a posição do partido.

O PSDB também questionou o envio por Renan de duas petições ao Conselho de Ética como presidente do Senado. Renan se defendeu e disse que tem se colocado a disposição para colaborar com as investigações, mas voltou a afirmar que não sabe do que é acusado. "Não tenho nada a esconder na minha vida. Não procuro solidariedade nesta hora, mas não dá para separar a figura do presidente do Senado do senador. A instituição é aqueles que a compõe", disse. Renan garantiu que continuará cumprindo suas funções como presidente do Senado e avisou que chamará a Ordem do Dia prevista para hoje.

O senador Jefferson Péres (PDT-AM) também defendeu o afastamento de Renan do cargo. "Já manifestei a minha opinião sobre a incompatibilidade de permanecer na presidência da Casa e de ser investigado pelo Conselho de Ética", disse o senador. Ele afirmou que nunca se manifestou em plenário para não constranger Renan. "Por isso disse minha posição pela imprensa. Não por medo ou covardia, mas para não constrangê-lo", explicou. Péres disse que tem defendido o afastamento de Renan e não a renúncia do cargo.