Brasília – A revista IstoÉ Dinheiro desta semana traz uma reportagem mostrando que o ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação Estratégica) foi sócio do ex-assessor de Assuntos Parlamentares do Planalto Waldomiro Diniz. Em 1994, ambos tinham participação numa fazenda de R$ 650 mil.

Segundo a revista, Waldomiro e Gushiken faziam parte da Associação Fraterna Mundo Novo, uma entidade esotérica. Em 1986, a associação fundou a Comunidade Mundo Novo numa fazenda na Chapada dos Guimarães, em Goiás. Documentos mostram que, em 1994, a associação tinha 19 sócios, entre eles Waldomiro e Gushiken. Hoje, há apenas oito. Gushiken ficou e Waldomiro saiu.

À IstoÉ Dinheiro, Gushiken não comentou a reportagem. O responsável por declarações à revista foi o atual presidente da associação, Emerson Menin. Ele afirmou que Waldomiro foi sócio por um curto tempo porque não pagou o valor total da cota por US$ 3 mil que havia comprado.

Menin disse à revista que o ex-assessor do Planalto era “muito querido” entre os sócios, mas que Luiz Gushiken jamais soube de sua participação na entidade, uma vez que o ministro não fazia parte da direção da Mundo Novo. De acordo com Menin, a fazenda não tem fins lucrativos e funciona como um clube.

Gushiken se associou à entidade em 1990, quando era presidente do PT. Ele continua freqüentando com assiduidade a associação. Desde que o caso Waldomiro veio à tona, o PT vem se esforçando para para desassociar a imagem do ex-assessor à do governo.

Mais petistas

Gushiken não é o único petista a fazer parte da comunidade esotérica que, dez anos atrás, teve Waldomiro como sócio. O próprio Emerson Menin foi assessor de Gushiken durante a Assembléia Constituinte de 1988. Hoje, ocupa o cargo de coordenador de Gás e Energia na Petrobras, mas está lotado em Brasília e despacha na Secom. Outro membro da Associação Mundo Novo, José Vicentine, é também assessor de Gushiken.

E o “irmão” Luiz Antônio de Mello Rebello, por sua vez, assessora o senador Aloizio Mercadante (PT/SP). Para os líderes da oposição, que há dois meses tentam em vão instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso para apurar o caso, a revelação da sociedade entre Waldomiro e alguns membros do PT deu-lhes um novo ânimo. “Isso prova que o Waldomiro é um operador e uma peça central no esquema de poder do governo Lula”, acusa o deputado Jutahy Magalhães (PSDB/BA).