A alta dos títulos da dívida brasileira desde a semana passada teve como estopim compras especulativas de tesourarias e fundos brasileiros. Segundo o diretor-gerente para a América Latina do Sterling Financial, Marcelo Fleury, os seguidos pronunciamentos de integrantes do PT, reafirmando o compromisso com políticas fiscais rígidas, levaram alguns operadores locais mais arrojados a arriscar algumas aquisições de papéis brasileiros.

A partir desse movimento, os investidores que estavam apostando na queda dos títulos tiveram de desmontar às pressas suas posições vendidas, o que acentuou a alta das cotações.

O economista-sênior para mercados emergentes do banco de investimentos Lehman Brothers em Nova York, Paulo Vieira da Cunha, reforça que a alta dos títulos reflete um otimismo que partiu das mesas de operação em São Paulo e contaminou depois os operadores de Wall Street. Segundo ele, num momento como esse, “ninguém quer mostrar que entende mais de Brasil do que quem está no País”.

Fleury acredita que, no curto prazo, deve haver vendas para realização de lucros, uma vez que as compras feitas até agora têm um caráter especulativo. Investidores como fundos dedicados a mercados emergentes, que adquirem os papéis com objetivos de longo prazo, não teriam embarcado na onda atual.