O presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, reconheceu nesta quinta-feira (22) que foram graves as falhas registradas nesta semana nas centrais de controle de tráfego aéreo instaladas em Brasília (Cindacta 1) e Curitiba (Cindacta 2). Ele disse não acreditar na chamada Lei de Murphy, numa referência a declarações do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, que atribuiu a uma coincidência infeliz os problemas nos aeroportos.

"A Lei de Murphy é invenção do Murphy", afirmou o brigadeiro, após se reunir, no Ministério da Defesa, com as principais autoridades do setor aéreo. Essa "lei", na verdade, é uma brincadeira com origem nas dificuldades para levar a cabo as primeiras experiências com foguetes, ainda nos anos 40. Ela se tornou popular inicialmente em centros de pesquisa, passou a ser empregada por públicos cada vez maiores e pode ser resumida na máxima: "Se alguma coisa pode dar errado, dará.

Pereira foi esquivo ao falar sobre a hipótese de os problemas ocorridos no sistema de controle de vôos terem sido produzidas por sabotagem. "A priori, eu não acredito em sabotagem, mas em investigação nenhuma possibilidade pode ser ignorada", comentou.

Durante a reunião no Ministério da Defesa, chegou-se à conclusão de que o problema ocorrido nos Cindactas "não pode ser visto de forma isolada", segundo o brigadeiro, que considerou particularmente graves as falhas nos softwares de processamento de planos de vôos.