O advogado Rogério Tadeu Buratti atribuiu aos ex-prefeitos de Ribeirão Preto (SP), o ministro da Fazenda, Antonio Palocci (2001-2002), e o empresário Gilberto Maggioni (2002-2004), a responsabilidade pelo acordo com o Grupo Leão Leão para a execução do contrato de até R$ 2 milhões mensais de limpeza urbana na cidade paulista investigado pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Civil.

Buratti isentou hoje (4), durante depoimento como testemunha nos inquéritos que apuram fraudes no contrato de coleta de lixo e varrição de rua, a superintendente do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), Isabel Bordini. "Não acredito que a Isabel Bordini teria ordenado qualquer tipo de procedimento irregular; ela é uma funcionária exemplar e controlava (a execução) do contrato de acordo com as determinações dos prefeitos", disse Buratti, que foi vice-presidente do Grupo Leão Leão e ex-secretário de Palocci durante o primeiro mandato do ministro como prefeito (1993-1994)

"Havia um acordo entre os prefeitos e a empresa para que se houvesse um volume de serviços correspondente aos volumes pagos", completou. Buratti afirmou que não houve fraude no pagamento por parte da prefeitura para a realização de serviços de limpeza acima do volume acordado, como suspeitam Ministério Público e a polícia. No entanto, ele admitiu que o valor inicial do contrato era muito abaixo do mercado quando houve a licitação.

De acordo com promotor Tiago Cintra Essado, durante o depoimento Buratti citou que o Grupo Leão Leão venceu a licitação com preço de R$ 17 a tonelada quando o segundo colocado participou com R$ 51. "Ele confirmou que esse preço era vil em relação ao mercado e depois o valor se recuperava durante a execução do contrato", afirmou o promotor. Com isso, o valor estipulado pelos prefeitos Palocci e Maggioni, de até R$ 2 milhões, seria a forma de reequilibrar os valores do contrato.

Ainda de acordo com Essado, Buratti confirmou que as empresas Comercial Luizinho, Twister e Vilimpress, passaram a fornecer notas fiscais para o Grupo Leão Leão em um volume além do normal. Promotores e a polícia suspeitam, que essas notas eram frias e utilizadas para que o dinheiro pago pela prefeitura à empreiteira voltasse como propina.

Buratti ratificou o depoimento de agosto e reafirmou que Palocci e Maggioni receberam do Grupo Leão Leão pagamento de R$ 50 mil mensais de propina que era destinado ao Diretório Nacional do PT em São Paulo.

Buratti voltou a atribuir ainda ao falecido Ralf Barquete, ex-secretário da Palocci e ex-diretor da Caixa Econômica Federal, como emissário para a entrega do dinheiro. Ele afirmou ainda acreditar que não houvesse espaço para superfaturamento nas varrições e que isso não ocorria por determinação de Palocci, Isabel Bordini, ou mesmo pelo Grupo Leão Leão. Ele levantou a suspeita de que, se houve fraude, teria sido praticada por funcionários do departamento técnico do Daerp. "Quem assinou pelas medições tem de responder", disse, salientando que Isabel não teria o perfil de coagir funcionários Alguns funcionários e ex-funcionários do Daerp já foram ouvidos nos inquéritos e, segundo a polícia e o Ministério Público, apresentaram versões confiáveis que confirmam o superfaturamento que pode chegar a R$ 1 milhão por mês.

Por fim, indagado como iria se posicionar politicamente nas eleições deste ano, Buratti disse que vai esperar a campanha analisar as propostas dos candidatos e se comportar como "um eleitor como todos os outros". E acrescentou: "Acho que o governo tem pontos positivos e outros tímidos. E depende de quem vai ser o candidato da oposição".